Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

ONU diz estar atenta a reformas do ensino médio e da Previdência

Ao anunciar o Relatório de Desenvolvimento Humano, representante da entidade destacou os desafios urgentes no País, como pobreza, desemprego e crescimento

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

21 Março 2017 | 11h43

BRASÍLIA - Ao anunciar o Relatório de Desenvolvimento Humano na manhã desta terça-feira, 21, o  coordenador residente do Sistema das Organização das Nações Unidas (ONU), Niky Fabiancic, afirmou que o  Brasil enfrenta desafios urgentes, como a questão da pobreza, do desemprego e do crescimento humano e que o sistema acompanha com interesse as discussões de reforma no País. "Estamos atentos às propostas de reforma de ensino médio, da previdência, trabalhista e tributária."

A coordenadora do relatório no Brasil, Andrea Bolzon, observou que a maior preocupação é com as pessoas que estão em maior vulnerabilidade. "A reforma é necessária, mas é preciso ter um olhar atento para não se penalizar alguns grupos, como agricultores e mulheres", disse.

O mesmo ocorre com a reforma trabalhista. "É preciso cuidado para que trabalhadores não sejam explorados, não se enfrentam situações de insegurança no trabalho."

Andrea observou que está em curso no sistema das Nações Unidas um estudo mais aprofundado sobre as reformas que estão em discussão no País. 

Fabiancic avaliou que, embora o País tenha avançado de forma significativa nos últimos 20 anos, há muito ainda para se alcançar.  Ele citou, por exemplo, a baixa participação da população feminina na política. "Em média, 22% das mulheres ocupam assentos nos parlamentos do mundo. O Brasil tem somente 10,8%", comparou.

Esse porcentual é menor até mesmo do que o registrado na República Centro-Africana, última colocada no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde 12,5% das vagas do parlamento são ocupadas por mulheres.

Desigualdade. Batizado de Desenvolvimento Humano para Todos, o relatório divulgado  nesta terça-feira pelas Nações Unidas tem como meta apoiar a discussão e implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e dedica um olhar especial para as desigualdades.

O documento propõe quatro eixos de atuação de política nacional, com destaque para ações de afirmação a facilitação da participação de grupos excluídos.

"Esses eixos podem ajudar a pensar o cenário brasileiro, tendo como meta seguir o avanço no desenvolvimento humano, com preocupação de não deixar ninguém para trás", disse Fabiancic.

No mundo, observou, um em cada três pessoas vive em um nível de desenvolvimento humano baixo. Mulheres ganham em média menos que 24% menos que os homens e ocupam somente 24% dos altos cargos empresariais. 

Pobreza. A coordenadora Andrea Bolzon citou que em 2014 e 2015 a pobreza no Brasil aumentou, rompendo um ciclo de queda identificado desde a década anterior. Dados indicam que, em 2015, 3,63% da população vivia em situação de extrema pobreza, com uma renda mensal per capita de até R$ 70. Naquele mesmo ano, 9,96% da população era classificada como vulnerável à pobreza, com rendimento de até R$ 140 reais por mês.

O desemprego, por sua vez, cresceu de forma expressiva neste mesmo período. A pesquisadora observa que, a partir dos dados, é necessário se pensar quais medidas devem ser adotadas para que a tendência não se mantenha.

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