ONU diz que legalizar drogas não acaba com violência no Rio

Representante do órgão diz que problema da droga deve ser tratado em um 'nível hemisférico' nas Américas

Efe,

13 Outubro 2008 | 21h11

O representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), José Manuel Martínez, afirmou nesta segunda-feira, 13, que há um vínculo entre o tráfico e a violência nas favelas brasileiras, mas ressaltou que a legalização das drogas não é a solução para o problema.   Veja também: Até julho, polícia do Rio matou 5,7% a mais do que em 2007 Falta de segurança no Rio atrapalha serviços do PAC   Na abertura da 18ª Reunião dos Chefes de Organismos Nacionais de Combate ao Tráfico de Drogas, em Honduras, Martínez declarou que o crime organizado e narcotráfico são a maior ameaça à segurança pública no continente americano. "A opinião pública no continente manifesta que aquilo que mais teme não é o terrorismo, nem a mudança climática, nem a crise financeira, nem o desemprego, mas a insegurança pública", ressaltou.   Martínez enfatizou que "a grande diferença" da América para as outras regiões do mundo é que a demanda é "equiparável" com a oferta, o que faz com que "o problema da droga deva ser tratado em nível hemisférico". A "América Central e o Caribe estão apanhados no fogo cruzado de drogas e armas", disse ele, que acrescentou que "as Américas enfrentam o problema de drogas mais urgente do mundo".   No entanto, ele se posicionou contra a legalização das drogas. "Diante de um problema difícil de se resolver, nos convidam a colocar a cabeça sob terra como o avestruz e aceitar o livre mercado das drogas que aniquilam nossos jovens", lamentou Martínez.   Martínez também se referiu ao último relatório mundial sobre as drogas feito pela UNODC, segundo o qual a "América do Sul produz toda a cocaína do mundo (950 toneladas) e a América do Norte consome a metade desta produção", enquanto a outra parte vai para a Europa.   No encontro em Honduras, que terminará na sexta-feira, centenas de delegados latino-americanos e caribenhos, mais observadores europeus e asiáticos, debaterão a portas fechadas em um hotel de Tegucigalpa as tendências, rotas, redes de distribuição, volumes de envios e outros aspectos do narcotráfico.

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