ONU indica brasileira como relatora em Direito à Moradia

Raquel Rolnik deve ocupar posto de peso dentro do sistema da ONU, em acordo com política do governo

Jamil Chade, especial para O Estado de S. Paulo,

11 de março de 2008 | 19h04

ONU indica a arquiteta brasileira Raquel Rolnik para ocupar o posto de relatora especial das Nações Unidas para o Direito à Moradia. A decisão foi tomada pelo presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Doru Costea, e agora irá para uma votação entre os países que promete ser apenas simbólica no dia 25, substituindo ao indiano Miloon Khotari. O governo vem adotando uma posição de tentar colocar brasileiros em cargos de peso dentro do sistema da ONU. Até hoje, o único posto ocupado por um brasileiro é o de relator especial para Mianmá, com Paulo Sérgio Pinheiro. No caso da relatoria para o direito à moradia, a função da brasileira será o de visitar países e apresentar à ONU avaliações sobre esses governos. A ONU considera a moradia como um direito universal e que os países precisam garantir a seus cidadãos. O relator, portanto, tem a função de monitorar se esse direito não está sendo violado. O próprio Brasil já recebeu a visita de Khotari, que fez duras críticas contra o governo e a política de moradia no País.  Seu relatório indicou a existência de 6,5 milhões de pessoas no Brasil vivendo em favelas. 40% do deficit de moradia no País estaria no Nordeste. Com doutorado na Universidade de Nova Iorque, Rolnik é considerada como uma referência em termos de urbanismo e planos diretor e terá um desafio nada fácil pela frente.  Segundo seu curriculum, a arquiteta tem mais de 30 anos de experiência na área e foi chefe do Departamento de Planejamento da cidade de São Paulo entre 1989 e 1992.  Entre 2003 e 2007, ela ainda chefiou o Programa de Urbanismo do Ministério de Cidades. Uma de suas funções era a implementação do Estatuto das Cidades. Um de seus últimos trabalhos foi a elaboração de um plano para o governo de transição do Kosovo.  Segundo seu curriculum, a brasileira ainda conta com experiências na Argentina, Uruguai, México, Colômbia e Equador, assim como em organismos internacionais como UN - Habitat e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

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