ONU inicia investigação sobre violência policial no Brasil

Entidade está 'alarmada' com o fato de policiais serem suspeitos de cometer assassinatos no País

Jamil Chade, Estadão

02 de novembro de 2007 | 14h59

A ONU afirma estar "alarmada" com o nível de violência e de impunidade no País e investiga a partir desta sexta-feira, 2, os assassinatos cometidos pela polícia no Brasil. O relator para Execuções Extra-judiciais, Philip Alston, desembarca no País para uma missão de onze dias pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e o Distrito Federal. O governo considera a missão como "delicada" e sabe que a visita pode ser polêmica em termos políticos.   Arcebispo do Rio critica política de segurança de Cabral Alemão: perícia vê execuções e acusa polícia Participe do fórum e dê a sua opinião     Nos últimos meses, a ONU vem enviando pedidos de explicação ao governo brasileiro sobre assassinatos e suspeitas de envolvimento de agentes de segurança público. Mas nem todas as solicitações são respondidas. Na entidade, os especialistas não escondem a preocupação com o volume de homicídios no País e principalmente com o fato de muitos crimes permanecerem impunes.   O relator da ONU, de origem australiana, quer agora avaliar até que ponto o sistema judicial no País é capaz de evitar essas mortes, muitas delas cometidas por agentes de segurança ou por milícias que não são punidas. Alston é conhecido por ser um dos principais especialistas em direitos humanos no sistema da ONU e é professor de direito na Universidade de Nova Iorque.   Segundo as Nações Unidas, Alston irá se reunir com "todos os atores da sociedade" no Brasil, incluindo as Forças Armadas, funcionários de prisões, representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil. Alston visitará ainda o Supremo Tribunal Federal, governadores e membros do Congresso. O relator também estará com vítimas da violência no País.   O governo garante que irá permitir que o relator entreviste todas pessoas que desejar. Mas Brasília está preocupado com a segurança das testemunhas que conversarão com Alston. Isso porque, há três anos, uma das testemunhas que conversou com a então relatora da ONU, Jina Jilani, acabou assassinado depois de revelar à missão internacional informações sobre autores de crimes.   O resultado da investigação será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nos próximos meses. "Como resultado da visita, Alston irá relatar ao Conselho de Direitos Humanos sobre o cumprimento das obrigações do Brasil em termos de direitos humanos e fará recomendações com o objetivo a de tornar as medidas de prevenção mais efetivas", afirmou um comunicado da ONU.

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