ONU inicia treinamento no Brasil para combater tráfico de mulheres

Um acordo entre o governo americano, o Vaticano e organizações internacionais vai tentar lutar contra o tráfico de mulheres brasileiras no mundo. Segundo a Organização Internacional de Migração (OIM), entidade ligada à ONU, a cada seis vítimas do tráfico de mulheres no mundo, uma é brasileira. Na maioria das vezes, essas vítimas acabam trabalhando em locais de prostituição na Europa, Ásia e Estados Unidos, além de serem levadas para outros países da América Latina. O primeiro passo desse acordo será o treinamento de freiras e religiosas no Brasil para tentar lutar o problema. Segundo a OIM, estudos mostram que as vítimas de tráfico não vão pedir ajuda normalmente à polícia. "Constatamos que as vítimas, ao conseguirem voltar ao País, vão em primeiro lugar pedir conselhos e ajuda às igrejas locais", explicou um porta-voz da entidade com sede em Genebra. De acordo com a OIM, o problema é que nem sempre as igrejas estão preparadas para lidar com casos de prostituição e tráfico. "Por isso decidimos que vamos começar a treinar freiras para que possam pelo menos falar com as vítimas e indicar o que devem fazer", afirmou a entidade. Um primeiro curso ocorrerá em São Paulo e começará na segunda-feira, reunindo 30 religiosas de todo o País. As freiras ainda irão receber informações sobre como meninas são recrutadas por redes de tráfico para, assim, tentar impedir potenciais casos. O curso é em parte financiado pelo governo dos Estados Unidos em um acordo com o Vaticano. "O Brasil é o País sul-americano com maior incidência de tráfico internacional para a exploração sexual", alerta a OIM em um comunicado. Grande parte das vítimas tem entre 15 e 25 anos.

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