Bay Ismoyo/AFP/Getty Images
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ONU pede que Indonésia abandone pena de morte

Para entidade, não há indícios de que medida seja eficaz contra o tráfico; australianos estão na ilha onde devem ser executados 

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

06 Março 2015 | 07h17

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) apela à Indonésia para que desista de executar um novo grupo de pessoas condenadas por tráfico de drogas, entre elas um brasileiro, e para que volte a adotar uma moratória na imposição da pena de morte. 

"Apelamos para que a Indonésia abandone as execuções e conceda clemência às pessoas já condenadas e que adote uma moratória à pena capital", declarou Rupert Colville, porta-voz da ONU para Direitos Humanos. "Lamentavelmente, seis pessoas foram executadas em janeiro e várias outras podem ser executadas", disse.

Há dois dias, a Justiça da Indonésia transferiu para uma prisão na Ilha de Nusakambangan dois australianos que serão executados, Myuran Sukumaran e Andrew Chan. Eles estavam em um grupo de nove jovens australianos que, em 2005, foram pegos em Bali com oito quilos de heroína.

O procurador-geral da Indonésia, H.M. Prasetyo, indicou que ainda não há uma data para a aplicação da pena e que ela não ocorrerá neste fim de semana. 

Em dezembro, Jacarta anunciou que executaria 64 pessoas condenadas por tráfico de drogas. Seis foram executados em janeiro e, agora, os australianos seriam acompanhados ainda por um nigeriano e um espanhol, também já na ilha. Outros dois nigerianos, uma filipina, um brasileiro, um francês e um ganês também estariam no próximo grupo.

Para o presidente da Indonésia, Joko Widodo, não há o que negociar. "Todos os dias, 50 pessoas morrem na Indonésia por conta das drogas."

No caso do Brasil, a perspectiva da execução do brasileiro Rodrigo Gularte ainda criou uma crise diplomática depois que a presidente Dilma Rousseff (PT) se recusou a receber as credenciais do embaixador Toto Riyanto. 

Drogas. Para a ONU, a Indonésia não vai vencer a guerra contras as drogas executando os traficantes. "Entendemos o combate do governo da Indonésia contra as drogas. Mas essa não é a forma de fazê-lo", disse Colville.

"A pena de morte é reservado, em muitos casos, para os crimes mais sérios e drogas não entram nessa lista", alertou. "Não existem evidências de que esses crimes sejam evitados com a pena de morte", declarou.

"Não é a severidade da pena que impede o crime, mas a certeza de que haverá uma punição", disse ainda o representante da ONU. 

Colville também alerta que o governo da Indonésia terá sua posição enfraquecida quando, no futuro, tentar impedir que seus cidadãos sejam executados no exterior. 

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