ONU propõe dinheiro privado na administração

Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades começa hoje em Porto Alegre

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2008 | 00h00

A administração civil não pode se dar ao luxo de dispensar a ajuda não-governamental. É essa a opinião de Guido Bertucci, responsável pelo Programa das Nações Unidas sobre Administração Pública, Finanças e Desenvolvimento. Ele concedeu ontem entrevista coletiva de apresentação da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades, que começa hoje em Porto Alegre. O objetivo do evento é promover a troca de experiências e de boas práticas administrativas em diversas regiões do mundo.Para Bertucci, o novo paradigma da administração pública exige gestão conjunta do governo com a sociedade civil e a iniciativa privada, o que envolve também a questão financeira. "Quando se constrói uma obra de infra-estrutura que beneficia a iniciativa privada, esta deve ajudar a pagar a intervenção", disse. Ele afirmou que, em Nova York, 60% dos serviços de saúde são prestados por organizações religiosas.O representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Vincent Defourny, lembrou que todos os governos convivem com orçamentos apertados, inclusive os de países e cidades ricos. "O desafio já não é o tamanho do orçamento, mas sua distribuição", sustentou, defendendo a participação popular. "Se nos bairros há vontade de desenvolver algo, o caminho mais adequado é priorizar o que se quer e achar os mecanismos para isso", sugeriu Defourny. Para o assistente do diretor-geral para as áreas de Ciências Humanas e Sociais, Pierre Sané, as favelas, onde vive boa parte dos moradores das cidades, são locais de tensões, discriminação e exclusão. "No século 21 isso não é mais admissível", afirmou, citando como antídotos o desenvolvimento igualitário, as governanças democráticas e a proteção de direitos a partir dos núcleos urbanos, que estarão em debate durante a conferência. Na mesma linha de raciocínio, Bertucci disse que a democracia representativa está em crise, porque o contato do cidadão com ela é muito efêmero, restrito à hora do voto. Para ele, mecanismos de aproximação do cidadão da tomada de decisões sobre serviços públicos, educação e saúde devem ser conhecidos e difundidos.O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), também participou da coletiva de apresentação. Segundo ele, países como o Brasil, Uruguai, Argentina, África do Sul, Espanha e Portugal chegaram à democracia na segunda metade do século 20 e agora estão diante do desafio de radicalizar a experiência, abrindo espaços para o cidadão participar das decisões, exigir seus direitos e cumprir com seus deveres, algo que começa no bairro e se espalha pela cidade. Para o prefeito, ela "é local privilegiado de surgimento de problemas e soluções".A conferência terá 500 palestrantes e 5,6 mil participantes. As palestras serão exibidas ao público em telões no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul. O evento termina no sábado.

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