ONU recebe relato de 20 execuções

Relator ouviu denúncias de casos ocorridos durante ataques do PCC

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2007 | 00h00

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais, Philip Alston, ouviu ontem sobreviventes de chacinas supostamente praticadas por policiais e famílias das vítimas dos chamados crimes de maio - execuções que ocorreram entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, durante os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC).Até o dia 14, Alston visita São Paulo, Rio, Pernambuco e Brasília para produzir um relatório sobre os direitos humanos no País e apresentá-lo no Conselho dos Direitos Humanos da ONU. Ele não pretende falar com a imprensa até o fim da viagem, "para não emitir uma idéia preconcebida, antes de me encontrar com representantes da sociedade civil, grupos de parentes de vítimas e entidades que representam o governo". E citou o filme Tropa de Elite como exemplo da repercussão que o tema provoca.Em três horas, o representante da ONU ouviu os relatos e colheu documentação de 20 pessoas, entre sobreviventes e famílias de vítimas. Todas apontam policiais militares como autores dos assassinatos e levaram documentação, como laudos médicos, que indicam que os mortos foram executados e não atingidos em troca de tiros ou por oferecer resistência, como foram registradas essas ocorrências. "Alguém precisava ouvir o que a gente precisava contar, porque até agora nada foi resolvido", disse a mãe de uma vítima.Um dos casos envolveu um casal, com a mulher grávida de 9 meses e cesariana marcada. Foram executados ao ir buscar leite para outra filha, então com 2 anos de idade. "É minha última esperança, porque até agora não fizeram nada, arquivaram o caso", reclamou a mãe da vítima. "Espero que sirva de alerta, alguma providência tem de ser tomada. O Brasil tem de mostrar o que ele quer da ONU e o que ele tem para oferecer", disse a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Rose Nogueira, referindo-se à cadeira permanente pleiteada pelo governo brasileiro.

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