Doze são executados após morte do policial no norte do Paraná

Série de ataques em Londrina, Arapongas, Cambé e Ibiporã deixou 15 feridos entre a noite de sexta-feira, 29, e a madrugada de sábado

Danilo Marconi, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 Janeiro 2016 | 14h29

LONDRINA - Doze pessoas foram executadas depois da morte de um soldado do 5.º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina, no norte do Paraná. Os assassinatos aconteceram em um intervalo de seis horas, entre a noite de sexta-feira, 29, e a madrugada deste sábado. Além de nove homicídios em Londrina, foram registrados mais três mortes em Arapongas, Cambé e Ibiporã, na região metropolitana. Na série de ataques, 15 pessoas ficaram feridas.

O soldado Cristiano Luiz Botino, de 33 anos, foi baleado dentro de seu carro, quando voltava para casa, no Conjunto Milton Gavetti, na zona norte da cidade. Esse foi o segundo atentado registrado contra agentes públicos de segurança nesta semana em Londrina. 

O ataque, segundo fontes da área da segurança pública, foi ordenado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que também atua no Estado.

Logo após a morte do PM, também na zona norte de Londrina, cinco jovens foram baleados dentro de uma mesma casa – três morreram no local e a quarta vítima, no hospital. Nas horas seguintes, assassinatos em série foram registrados na região. O Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina recebeu doze corpos, incluindo o de Botino, e o da 13.ª vítima foi levado ao IML de Arapongas.

O delegado-chefe da 10.ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos, não se pronunciou oficialmente sobre os crimes. Em uma rede social, ele emitiu um recado no qual proibiu qualquer reunião entre investigadores e agentes da PM e da Guarda Municipal. 

O comandante do 5.º BPM, tenente-coronel José Luiz de Oliveira, também não comentou os crimes. Por meio de nota, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, determinou “empenho máximo e rigor das equipes policiais na apuração dos casos ocorridos em Londrina e região”. A secretaria não cita se investiga a atuação de milícia policial no caso.

Crime. A série de execuções gerou uma reação imediata. Interceptações telefônicas realizadas por fontes policiais mostram que o PCC ameaça reagir. Em uma gravação, um membro da facção considera as mortes uma “deselegância extrema contra nossos irmãos” e ordena “salve geral para matar polícia”.

Em resposta à chacina, a Secretaria da Segurança Pública encaminhou para a cidade profissionais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Por causa da gravidade dos crimes, o comandante da PM do Paraná, o coronel Maurício Tortato, também se deslocou para Londrina.

Segundo atentado. Na segunda-feira passada, um soldado foi baleado na porta de uma farmácia, no Conjunto Vivi Xavier, na zona norte de Londrina. Ele levou três tiros, mas resistiu aos ferimentos. 

Depois do atentado, oito pessoas foram mortas. A Polícia Civil informou que algumas das mortes estavam ligadas a uma briga entre rivais que disputavam pontos de tráfico de drogas na região. 

A participação de policiais não foi descartada. “Se porventura comprovarmos o envolvimento, seja de policiais civis ou militares nos homicídios, eles terão de responder pelos crimes que praticaram”, afirmou o delegado-chefe, Sebastião Ramos, em entrevistada à RICTV, afiliada da Rede Record. A Polícia Civil não esclareceu a autoria dos crimes ocorridos nesta semana na cidade.

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