Operação apreende 2,5 toneladas de maconha da Rocinha

Secretário de Segurança Pública disse que já são 12 toneladas de entorpecente apreendidas nos último mês

PEDRO DANTAS, agência estado

02 de junho de 2008 | 22h03

Uma operação conjunta da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Polícia Federal e Polícia Militar apreendeu 2,5 toneladas de maconha em uma gruta na favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que já são 12 toneladas de entorpecente apreendidas nos últimos 30 dias. "Foi um trabalho integrado das polícias. Estamos atingindo a estrutura do tráfico", comemorou o secretário. Ontem, das seis pessoas detidas, apenas duas permaneceram presas. Um menor foi apreendido com um rádio-transmissor. Apenas uma escopeta foi recolhida. O delegado-titular da Dcod, Marcus Vinícius Braga, anunciou que os agentes descobriram uma central de monitoramento improvisada dos becos de acesso à favela em um barraco. As câmeras mostravam quem entrava e saía da favela. O material estava em uma casa na localidade conhecida como Cachopa, onde os policiais tentaram prender o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, mas não encontraram ninguém. Em um dos quartos, a TV exibia quatro imagens da entrada da favela. Em uma delas, eram mostradas várias viaturas estacionadas. Em outra, um policial segurava o fuzil sem saber que era filmado. Na casa, os agentes encontraram camisetas de apologia à facção criminosa e eletrodomésticos novos. Uma outra casa na Cachopa - sem janelas e com ar condicionado central - parecia que era utilizada para festas.  Pela manhã, durante a entrada da polícia na favela, os traficantes soltaram fogos, mas não houve troca de tiros. Apesar da descoberta das câmeras e da ausência de confronto com os traficantes, o delegado acredita que não houve vazamento da informação sobre a chegada de cerca de 200 policiais. "O confronto não ocorreu,porque a operação foi planejada, a favela foi totalmente cercada e eram muitos policiais", disse o Braga. O policial acrescentou que um dos objetivos da ação foi "mandar um recado" aos traficantes da Rocinha para que parem de invadir favelas rivais. "O recado é claro. Eles não podem continuar com estas invasões que aterrorizam a sociedade", disse o policial. Ele acredita que 90% dos tiroteios entre quadrilhas rivais na cidade tem a participação de traficantes da Rocinha, que é dominada pela facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA). Além da maconha, a polícia apreendeu na gruta, localizada na Rua do Valão, 30 quilos de um pó branco que pode ser cocaína e será testado pelos policiais. A polícia também apreendeu vários frascos de éter e acetona utilizados na mistura química da pasta de cocaína. O entorpecente foi levado pelo helicóptero da Polícia Civil em oito viagens. Um destilaria improvisada de cocaína também foi estourada. Policiais apresentaram um espada que, segundo eles, seria usada por traficantes para torturar inimigos.

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