Operação 'Choque de Ordem' lota casas de acolhimento no Rio

Por isso, município fechou convênio com hotéis para abrigar moradores de rua e pretende construir mais casas

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 17h54

Após a operação Choque de Ordem, que entre outras ações acolheu os moradores de rua, quase todas as 2.146 vagas nos 61 abrigos da prefeitura estão ocupadas. A afirmação é do secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, que acaba de fechar um convênio com três hotéis no centro do Rio para abrir 250 vagas emergenciais. No entanto, muitas pessoas continuam ocupando os locais públicos, apesar de o último levantamento oficial apontar que apenas 1.906 pessoas viviam nas ruas do Rio até o final do ano passado.   Veja também:  Todas as notícias sobre a operação 'Choque de Ordem'   "Há uma resistência da população de rua em ir para o abrigo. Existe uma cultura de rua por parte daqueles que já romperam todos os vínculos sociais", afirmou William. Ele pretende reverter o quadro investindo na ampliação da equipe de assistentes sociais, o pagamento do aluguel aos moradores de rua com o projeto "Locação Social" e a construção imediata de outros dois abrigos, um deles para crianças e adolescentes.   "Não queremos higienizar a cidade. Não temos esta visão. No entanto, vamos acolher 500 vezes se necessário para mostrar que o abrigo é a melhor forma de reinserção à sociedade", declarou William. O secretário prometeu "medidas enérgicas" em relação aos menores de rua quando os abrigos alcançarem "o nível de qualidade desejada".   No Abrigo Plínio Marcos, em São Cristóvão, as 96 camas estão ocupadas. Há cinco anos, na direção do abrigo, a pedagoga Denise Lopes, de 59 anos, aponta que a população de rua não resiste às operações simultâneas. "Quando as ações são simultâneas em vários bairros. Esta população percebe que não basta mais mudar de vizinhança para permanecer na rua", revelou Denise.   Com 18 educadores, cinco assistentes sociais, oito cozinheiros, quatro auxiliares de serviços gerais e um supervisor, o abrigo consegue reabilitar até quatro pessoas a cada mês. Os hóspedes são dependentes químicos, deficientes mentais, doentes crônicos, soropositivos e pessoas que por algum motivo a vida entrou em colapso.   "Agora estou precisando, mas vejo que os que estão chegando precisam mais. Aqui é um lugar ajeitadinho, mas em três meses quero estar fora daqui", afirmou o aposentado Pedro Jorge Rosa Corrêa, de 53 anos, que vaga há três pelos abrigos, após ir à falência por conta de empréstimos contraídos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.