Operação contra milícias no Rio prende vereador e outros cinco

Ação aconteceu na favela Gardênia Azul, zona oeste; bombeiro e policial militar também foram detidos

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

18 de dezembro de 2009 | 18h40

A Polícia Civil fez uma operação nesta sexta-feira, 18, para prender a quadrilha de milicianos que explora a favela de Gardênia Azul, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Cinco homens foram presos, entre eles o policial militar Jose Nilson Bogaciano e o bombeiro Jorge Luiz de Souza. Um policial civil está sendo procurado. Apontado com o líder da milícia, o vereador Cristiano Girão (PMN) de 36 anos, foi preso na noite de quinta-feira na Câmara Municipal por formação de quadrilha extorsão, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

 

O bando teve mais de 30 contas bancárias em 12 bancos bloqueadas. Os bens e imóveis do vereador foram sequestrados. "Esta operação não terminou. Temos uma boa perspectiva de que o material apreendido possa produzir desdobramentos", disse o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, referindo-se aos computadores e anotações encontrados pela polícia hoje no centro social do vereador em Gardênia Azul.

 

Na noite de quinta-feira, a Câmara foi cercada por homens da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e da Corregedoria da Polícia Civil. Girão saiu preso, mas sem algemas. De acordo com a polícia, a quadrilha cobra R$ 35 semanais de comerciantes de Gardênia Azul por segurança e explora serviços como distribuição de gás e tv pirata. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias apontou que o vereador "age como xerife na comunidade". Ele está sob investigação por dois assassinatos.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio, Girão gastou R$ 680 mil em imóveis e veículos e movimentou R$ 2,2 milhões entre 2003 e 2007. Sargento bombeiro desde 18 anos, ele é apontado como proprietário de um de luxo na Barra da Tijuca (zona oeste), uma fazenda em Silva Jardim, dois terrenos na zona norte da cidade e sete veículos. Recentemente, ele passou para o nome de sua ex-mulher, da mãe e da atual companheira, a cantora de funk Samantha, um lava jato e duas lojas de construção. Elas também foram indiciadas por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

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