Operação da PF prende advogados e oficiais de Justiça em PE

Oito pessoas são presas acusadas de participar de rede de corrupção e formação de quadrilha

Angela Lacerda, do Estadão,

09 de agosto de 2007 | 12h25

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 9, oito pessoas - entre eles quatro oficiais de Justiça e dois advogados - que participariam de um suposto esquema de corrupção especializado em busca e apreensão de automóveis em Caruaru, no agreste, e região metropolitana do Recife.   De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha funciona em torno de carros financiados que deixam de ser pagos. Quando isso acontece, tem início um processo e a Justiça expede mandado de busca e apreensão do veículo, que deve ser cumprido por um oficial de Justiça. Para dar prioridade à busca e apreensão do automóvel do interesse das financeiras que os contrataram, os advogado pagariam propinas entre R$ 200,00 e R$ 300,00 aos oficiais.   Diante da propina, os funcionários da Justiça colocariam tais mandados de busca e apreensão como prioridade, passando-os à frente na lista de serviços a serem realizados. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) não tem ainda informação sobre participação das financeiras no esquema. A Polícia Federal estima que até 50 processos dessa natureza ocorrem por mês.   As prisões são de caráter temporário, por cinco dias, com possibilidade de prorrogação por mais cinco. Também foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Caruaru e região metropolitana. Uma pistola, uma espingarda e um revólver foram apreendidos na casa de um funcionário de um escritório de advocacia. Elas pertenciam ao seu pai, que também foi preso, mas foi liberado depois de pagar fiança.   A ação foi resultado de uma parceria entre a Polícia Federal e o MPPE, numa operação chamada Pombo-Correio. A operação investigava tráfico de entorpecentes no agreste há um ano, e por acaso, durante as diligências, os policiais federais se depararam com indícios da existência da rede de corrupção.   Foram presos os oficiais de justiça José Bonifácio Ramos de Oliveira, Marivânia Santana de Lima, Maria Anunciada dos Santos e José Rubem de Oliveira; os advogados Lídio Souto Maior e Doriane de Lima Queiroz; e os funcionários de um escritório jurídico, Rosivaldo França Costa e Alessandro de Araújo Beltrão. Eles são acusados de crimes de concussão, corrupção ativa e passiva, prevaricação, usurpação de função pública e formação de quadrilha.   Matéria ampliada às 18h54

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