Operação da polícia deixa 10 mortos e 1 ferido no Rio

Chefe da Polícia Civil diz que vítimas são bandidos porque houve troca de tiros; foram presos 7 homens, um com antecedentes criminais

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

05 Fevereiro 2009 | 00h00

Operação com 300 policiais civis e o apoio da Polícia Militar deixou 10 pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico mortas e uma mulher ferida, ontem, nas favelas da Coreia, Vila Aliança, Taquaral e Rebu, em Senador Camará, na zona oeste do Rio. Desde outubro de 2007, pelo menos 33 pessoas foram mortas nas operações policiais em comunidades da região. Entre os mortos de ontem estão Diego Matos Brás, de 15 anos, e Josué de Souza, de 16. As demais vítimas têm entre 18 e 37 anos. Sete homens foram presos e apenas um, Jucélio Gonçalves das Neves, de 43 anos, tinha antecedentes e mandado de prisão por roubo."Não temos dúvidas que os mortos eram bandidos, pois trocaram tiros com a polícia", enfatizou o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. Ele afirmou que o alto número de mortes quando há operação naquela região ocorre porque os criminosos das favelas (ligados ao Terceiro Comando Puro) oferecem resistência à ação policial e que isso possibilita a fuga do traficante Márcio da Silva Lima, o Tola, líder do tráfico na região e principal alvo da operação.A Secretaria de Estado de Saúde chegou a informar que eram 12 mortos e depois divulgou que eram 10. No entanto, a Polícia Civil afirma que matou seis em confronto pela manhã e o 14º Batalhão de Polícia Militar de Bangu garantiu que outros três morreram à tarde após atacarem PMs a tiros.A exemplo das operações anteriores, o confronto foi intenso logo na chegada dos agentes. No início da operação, uma equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil trocou tiros com um homem na Vila Aliança, que morreu logo no início da ação. Na Coreia, foram instalados gangorras, balanços e quebra-molas nos acessos da favela. "Isso é uma tática dos traficantes. Eles querem colocar as crianças no meio do confronto para impedir a ação policial", afirmou o delegado titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Marcus Vinícius Braga. Na mesma favela, os policiais voltaram a invadir a casa do traficante Juarez Ribeiro da Silva, o Aranha, descoberta há três meses. Os agentes informaram que foram encontrados comprimidos para tratamento de aids. O confronto mais intenso na Coreia ocorreu na Rua Santa Luzia, onde cinco homens morreram em uma casa. De acordo com a versão oficial, uma equipe da Dcod teria sido atacada a tiros por bandidos escondidos no segundo andar da casa 18A. Os criminosos teriam mantido a família no primeiro andar como escudo. Ninguém da família ficou ferido. A Polícia Civil apreendeu sete pistolas, um revólver, duas granadas e quatro sacos com papelotes de cocaína.Ao final da operação, 30 homens do 14º BPM permaneceram nos acessos das comunidades. Na favela do Rebu, houve troca de tiros e três homens morreram. "Apreendemos com eles três pistolas e cinco granadas", disse o comandante do 14ºBPM, Pedro Paulo da Silva. À tarde, Ana Maria Souza, de 43 anos, deu entrada no Hospital Albert Schweitzer com um tiro nas nádegas. Segundo a Secretaria de Saúde, não há risco de morte.

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