Operação da Polícia Federal interdita 18 bingos no RJ

Dezoito bingos foram interditados neste sábado na operação Ouro de Tolo, a terceira deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro em dois dias consecutivos. Oitenta caminhões foram mobilizados para recolher 4.800 máquinas de vídeo-bingo, avaliadas em US$ 75 milhões. Não houve prisões. Já na operação Gladiador, que apura a máfia de caça-níqueis, o Ministério Público Federal esclareceu que a Justiça aceitou denúncia contra 19 acusados (e não 45 como havia sido divulgado na véspera), entre policiais civis e militares, advogados. Cinco suspeitos foram presos na sexta-feira, cinco já estavam na prisão, e nove mandados seriam cumpridos neste sábado. Também foi expedido mandado de busca e apreensão contra um jornalista.Apesar da interdição anunciada pela PF, alguns bingos voltaram a funcionar ainda neste sábado no Rio, trabalhando apenas com cartelas, segundo informou a Associação de Bingos do Estado do Rio de Janeiro (Aberj). De acordo com a assessoria da instituição, ao contrário do que informou a PF, a operação visou apenas apreensão de máquinas de vídeo-bingo e não o fechamento das casas. O bingo Arpoador, em Copacabana, de onde foram levadas todas as máquinas, voltou a funcionar com cartelas no início da noite.A Polícia Federal foi procurada até o início da noite para comentar a nota da Aberj e o funcionamento dos bingos, mas a assessoria não foi localizada. A associação, por sua vez, informou que está avaliando os "recursos adequados" em relação à operação da PF e a decisão será tomada na segunda-feira.O delegado Alessandro Moretti, responsável pela Gladiador, informou que a PF começou a investigar a disputa entre quadrilhas rivais pelo controle do jogo na zona oeste e o envolvimento de policiais, que dariam sustentação "para que a guerra não chegasse ao caos". Os agentes chegaram a policiais ligados ao ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, acusado pela PF de ser o líder da quadrilha: " Álvaro Lins é apontado como o chefe desse grupo", afirmou Moretti.Ele explicou que a casa de Lins não foi revistada, apesar de haver mandado de busca e apreensão, porque houve dúvidas quanto à competência da decisão judicial, já que o delegado havia sido diplomado deputado estadual. "Não houve tempo de consultar o Tribunal Regional Eleitoral e não iríamos colocar em risco toda a operação por causa de uma divergência de entendimento quanto à competência judicial", afirmou.O Ministério Público Federal informou neste sábado que a Justiça determinou mandado de busca e apreensão na casa do jornalista da Rede Globo José Messias Xavier. De acordo com as acusações, Messias "recebia mensalmente da organização criminosa para repassar informações sobre movimentações das Polícias Civil e Federal que pudessem atrapalhar os interesses da quadrilha". A prisão preventiva dele pedida pelo MPF não foi decretada pela Justiça."É importante salientar que a participação do jornalista foi descoberta durante as investigações, a partir do monitoramento telefônico de integrantes do grupo de Iggnácio (Fernando Iggnácio, bicheiro), em especial o advogado Silvio Maciel de Carvalho, seu principal elo de contato, com quem mantinha freqüentes ligações telefônicas", diz nota do MP. Xavier não foi localizado pelo Estado. A Rede Globo também não havia se pronunciado até o início da noite deste sábado.Mas, durante o Jornal Nacional, o apresentador Chico Pinheiro, leu nota oficial da Globo sobre o caso: "A Rede Globo confia em seus funcionários e só vai se manifestar após o desenrolar das investigações. A TV Globo confirma que o jornalista vinha, de fato, trabalhando em reportagens sobre a ação da máfia dos caça-níqueis. Depois das denúncias, José Messias pediu licença de suas funções para que possa se dedicar à sua defesa e provar sua inocência, decisão com a qual a TV Globo concordou". Operação Ouro de ToloA operação Ouro de Tolo foi deflagrada neste sábado para combater os crimes de descaminho, contrabando e sonegação de tributos cometidas pelos donos de bingos. "A discussão jurídica sobre o jogo é violenta e não vou entrar no mérito. A Polícia Federal está centrada no crime. Esses componentes não são fabricados no Brasil e não podem ser importados", afirmou o delegado federal Cristiano Sampaio.Ao todo, 431 agentes federais vindos de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Brasília e Paraná permanecem na cidade para cumprir os mandados de prisão e de busca e apreensão. A partir de 7h30, ônibus de turismo começaram a deixar o Centro de Educação Almirante Adalberto Nunes (Cefam), da Marinha, na Avenida Brasil, onde os agentes que participaram da operação passaram a noite. Na frente do Bingo Arpoador, na zona sul, 30 agentes desembarcaram para cumprir mandados de busca e apreensão. Lá, havia 320 máquinas de videobingo. Trinta caminhões-baú de frete foram contratados pela PF para transportar os máquinas.Operação TingüiSubiu para 81 o número de policiais presos pela Polícia Federal nas operações deflagradas na sexta-feira. A polícia militar cumpriu neste sábado o último mandado de prisão dos 76 expedidos contra PMs por envolvimento com o tráfico de drogas da Favela do Muquiço, na zona norte, onde corre o Rio Tingüi, que batizou a operação. O policial estava foragido e apresentou-se no 14.º BPM (Bangu). Na sexta-feira também haviam sido presos o comandante do batalhão, coronel Celso Nogueira, dois PMs e dois policiais civis, estes investigados na Operação Gladiador.(Matéria alterada às 20 horas e às 21 horas, para alteração e acréscimo de informações)

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