Operação de busca mobiliza 13 aviões, 10 navios e submarino

Jato Embraer R-99B da Aeronátucia se notabilizou por localizar os destroços na madrugada de terça-feira

03 de junho de 2009 | 13h43

A operação para localizar os destroços do A330 mobiliza 13 aviões, dez navios, dois helicópteros e um submarino, de cinco nacionalidades diferentes. São sete aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), três da França, dois da Espanha e um dos Estados Unidos. Cinco navios da Marinha brasileira, três navios mercantes com bandeiras da Holanda e da França e um navio francês que leva um mini-submarino também foram destacados.

 

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Entre tantos equipamentos, a estrela até o momento é o jato Embraer R-99B da Aeronáutica brasileira, que escaneou a superfície marítima da região da queda e, em menos de duas horas, localizou placas da fuselagem do Airbus, uma poltrona, um flutuador e detritos diversos, durante a madrugada de terça-feira, 2. Com base nesses dados, um avião Hércules C-130 seguiu para o local e fez a confirmação visual.

 

O R-99B serve à vigilância da Amazônia e tem como principal componente um radar de abertura sintética, que realiza a varredura sem revelar sua presença, como um avião espião. O alcance do radar é estimado em 400km2 e funciona em conjunto com um produtor de imagens digitais e um sensor ótico infravermelho, para visão noturna. Cada jato custa cerca de R$ 80 milhões.

 

Helicópteros

 

"O Blackhawk não tem autonomia de combustível para chegar ao local onde foram localizados os destroços", disse na manhã desta quarta-feira, 3, o major Marcelo Moura, comandante do helicóptero que auxilia nos trabalhos de resgate de eventuais corpos e dos destroços do Airbus A330-200, da Air France.

 

O comandante disse que o "Blackhawk está de prontidão, mas só pode atuar com suporte de navios que carreguem os destroços a uma área mais próxima da ilha. A capacidade do helicóptero é de cerca de 6 horas no ar, o que equivaleria a um raio de 1.000 quilômetros, incluindo ida e volta". Segundo o comandante, nenhum navio da Marinha está autorizado a receber o pouso do Blackhawk, que teria de fazer um eventual resgate através de guincho.

 

Vítimas

 

A Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco informou na manhã desta quarta-feira, 3, que uma equipe com legista, perito criminal e papilocopista deve seguir de Recife para Fernando de Noronha ainda nesta quarta.

 

Segundo a secretaria, a equipe será responsável pela triagem de possíveis corpos de vítimas do acidente com o Airbus A330-200, da Air France, que devem ser identificados por meio de impressão digital, arcada dentária ou exames de DNA.

 

Buscas

 

Segundo a BBC, as operações de busca dos destroços do voo 447 da Air France entram nesta quarta-feira, 3, em uma segunda fase, que passará de uma operação aérea cobrindo uma ampla área sobre o Oceano Atlântico a uma operação naval em uma zona mais restrita, disse à BBC Brasil o porta-voz do Estado Maior das Forças Armadas da França, comandante Christophe Prazuck.

 

"Esta quarta-feira é um dia de transição", diz o militar francês. Segundo ele, as buscas aéreas continuam sendo efetuadas, mas essa etapa da operação "vai durar algumas horas".

 

A segunda fase, "que irá durar dias", consiste em recuperar, com navios, os destroços encontrados, que serão analisados em perícias técnicas.

 

Titanic 

 

Segundo a BBC, o mini-submarino francês Nautile, usado em operações de busca das carcaças do Titanic, deverá participar do resgate das caixas-pretas do avião da Air France. O Nautile, que também ajudou nas buscas pelo petroleiro Prestige, que causou um desastre ecológico na Europa em 2002, está sendo levado para o local onde os destroços do avião foram vistos, a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha, pelo navio francês Pourquoi Pas.

 

O mini-submarino, normalmente operado por dois pilotos e um observador , é equipado com braços motores e pinças e pertence ao Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Ele deve integrar as operações de busca a pedido do governo francês.

 

O Nautile foi o primeiro submarino a alcançar a carcaça do Titanic, que estava no fundo do mar desde 1912, depois que o navio foi detectado por sonares franceses no Atlântico Norte. Desde o início de suas operações, em 1984, o Nautile já realizou mais de 1,5 mil trabalhos de busca. O submarino pode mergulhar a profundidades de até 6 mil metros.

 

Caixas pretas

 

A localização das caixas pretas também terá auxílio de um sistema da empresa francesa Acsa, especialista em acústica submarina, segundo o jornal La Provence. O sistema utiliza boias submersas capazes de receber os sinais emitidos pelas caixas pretas e determinar a localização do sinal, com uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS). O equipamento é transportável por avião e pode chegar em até oito horas na Ilha de Cabo Verde, de onde segue para a área do acidente.

 

As boias já foram utilizadas para localizar, a mil metros de profundidade, as caixas pretas do Boeing 737 da Flash Airlines que em janeiro de 2004, após decolar do Egito, e do Airbus A320 da companhia Armavia, acidentado no Mar Negro, que foram resgatadas a 500 metros de profundidade. A França também enviou um avião-radar Awac para trabalhar na localização das caixas pretas, além de dois aviões Atlantique 2 e um Falcon 50 para reconhecimento visual.

 

Destroços

 

O patrulha Grajaú, primeiro dos cinco navios da Marinha brasileira destacado para as buscas, chegou na manhã desta quarta-feira, 3, ao local. Na quinta-feira, 4, a área do acidente recebe também a fragata Constituição e a corveta Caboclo. Três navios mercantes, dois de bandeira holandesa e um da França remanejaram sua rota e integram os esforços de buscas.

 

O material recolhido na área será levado a uma distância de 250 milhas próximas a Fernando de Noronha, de onde dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido em função da autonomia dos helicópteros, que podem voar por até 500 milhas.

 

O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos também destacou nesta quarta-feira um avião P-3C Órion, usado para patrulhas marítimas e com grande autonomia de voo. A aeronave leva uma tripulação de 21 militares. 

 

Ajuda internacional

 

Os três navios mercantes presentes na área, um francês e dois holandeses, e os da Marinha brasileira começam a recuperar os destroços do avião. Em breve, eles receberão o auxílio de dois navios militares franceses, que já estão a caminho do local.

 

Os navios Ventôse e Foudre devem chegar, respectivamente, na sexta-feira, 5, e no sábado, 6, à área das buscas.

 

Para reforçar as operações aéreas, que continuam sendo efetuadas, a França enviou dois aviões Atlantique 2 e um Falcon 50, além de um avião-radar Awac, que vão realizar, nesta quarta-feira, um mapeamento dos destroços para tentar determinar o local do acidente.

 

Após a fase de recuperação dos destroços, que levará dias, a próxima etapa será a de encontrar as caixas-pretas do voo 447 da Air France.

 

Atualizada às 14h55

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