Operação de evacuação é montada às pressas após deslizamento em morro

Uma operação de evacuação foi mobilizada às pressas, às 22 horas de ontem, para a retirada de dezenas de pessoas de um abrigo montado num galpão de uma igreja no Braço do Baú, em Ilhota. Um novo deslizamento de terra ocorrido às 18h40 destruiu casas que ainda estavam em pé, o que represou um rio e se tornou um perigo. O abrigo, aparentemente seguro, ficava abaixo do represamento. O desespero dos moradores é de que a água pudesse ir na direção da igreja e causar destruição em massa. Mais informaçõesNão chovia no momento do deslizamento, mas minutos antes houve uma chuva de média intensidade. O solo do local está fragilizado com as últimas precipitações. Na parte que deslizou ontem não havia sinais de quedas anteriores, mas em todo o entorno há sinais de deslizamentos. Os desabrigados estão desde sábado na igreja e foram levados para lá porque suas casas foram destruídas. Ao constatarem os estragos do novo deslizamento, entraram em desespero.O casal Neli Daluche e Nelson da Silva, que mora em Itajaí e sofreu com a cheia na cidade, foi ver a casa do irmão, que ficou soterrada no Braço do Baú. "É muita desilusão aqui", afirmou Neli, ao ver o carro do irmão, um Palio prata, coberto de lama. Em seguida, com o deslizamento, o imóvel e o carro foram destruídos.Em Ilhota, a Defesa Civil e os bombeiros receberam telefonemas de pessoas desesperadas, implorando para serem resgatadas. Até de áreas próximas, como o Baú Central, do outro lado do morro que desabou, chegaram pedidos de retirada. Imediatamente, a reunião de planejamento para o dia seguinte, das equipes de resgate, foi suspensa e uma operação de evacuação, montada.Bombeiros militares e voluntários se prontificaram a abandonar seu período de descanso na noite de ontem e se mobilizaram para buscar os desabrigados. Dois ônibus e uma van seguiram até o abrigo, que deve estar com mais de 60 pessoas. Segundo o subcomandante João dos Santos Junior, do Corpo de Bombeiros Voluntários, não se sabia quantas pessoas deveriam ser retiradas da igreja, nem se desabrigados de outros locais também estariam no grupo de remoção.Desde sábado, Ilhota registra 32 mortes, todas no Morro do Baú, que engloba várias montanhas, incluindo o Alto do Baú, Braço do Baú e Baú Central. Deslizamentos de várias encostas se somaram e arrastaram vastas extensões de terra.O trabalho de reconstrução já começou para a maioria dos catarinenses, mas em meio à lama. As águas baixaram em quase todo o Vale do Itajaí e moradores têm voltado às casas para recuperar o que sobrou. O medo de saques motivou até patrulhas policiais e restrições à circulação de pessoas.RESTANTE DO ESTADOO governador Luiz Henrique decretou luto oficial de três dias pelas 99 vítimas, a maioria sem identificação - e outras ainda nem contabilizadas. Santa Catarina tem 12 municípios em estado de calamidade pública e 78.707 flagelados (27.410 desabrigados e 51.297 desalojados).

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