Operação detém 90 suspeitos na Sé

Agentes do Deic se infiltraram no submundo da praça para identificar traficantes, receptadores e falsificadores

Marcelo Godoy e Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2009 | 00h00

A Polícia Civil deteve ontem 90 suspeitos de traficar, roubar, comprar mercadorias roubadas e falsificar documentos na Praça da Sé. Os policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) prepararam a chamada Operação Marco Zero durante 45 dias.Eles se infiltraram no submundo da praça, no centro de São Paulo. Alugaram um apartamento no 7º andar de um prédio, de onde filmaram e fotografaram traficante e ladrões. Montaram barracas de frutas e trabalharam como garis para identificar quem comprava objetos roubados e falsificava RGs, CNHs, diplomas profissionais e atestados médicos."Desbaratamos um cartel que atuava na Praça da Sé em diversos crimes. O dinheiro da venda de objetos roubados alimenta o tráfico e forma uma bola de neve", disse o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, supervisor do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), do Deic. Metade dos homens do Garra, segundo Nico, passou a trabalhar sem uniforme, fazendo investigação.Eles montaram o organograma das quadrilhas e identificaram seus integrantes. A Sé havia sido escolhida como alvo porque nessa região havia sido detectado um crescimento de 3,8% dos roubos no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2008. Em relação ao último trimestre de 2008, o aumento era de 31%. Ao todo, foram registrados na área 942 roubos neste ano, a maioria deles contra pedestres. Seis quadrilhas atuariam na Sé. Cada uma era especializada em um tipo de crime. No caso dos traficantes, os dois cabeças do bando mantinham equipes distintas para a venda de maconha, cocaína e crack. Na tarde de ontem, duas adolescentes foram detidas com pedras crack e maconha. Os cabeças fugiram.Dois homens foram presos com armas de brinquedo, e dezenas de relógios, celulares e aparelhos eletrônicos roubados foram apreendidos. Os acusados foram levados até um ônibus e, dali, encaminhados ao Deic.Os investigadores estouraram ainda uma banca anexa a uma lanchonete, na esquina da praça com a Rua Senador Feijó. Tratava-se do maior ponto identificado de venda de objetos roubados na Sé. Os policiais filmaram diversos objetos sendo vendidos no local, como relógios e laptops. Os compradores não aceitavam celulares baratos e davam prioridade a iPhones.Os policiais detiveram em flagrante oito falsários que haviam vendido um diploma de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com carimbo do reitor, por R$ 1,5 mil. "Eles falsificavam de tudo. Os papéis dos documentos eram originais. Só os dados eram falsos", disse o delegado do Deic.

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