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Operação Diáspora desarticula PCC no Acre

Maioria dos suspeitos de integrarem o grupo no Acre já cumpria pena

Itaan Arruda, Especial para o Estado,

01 Fevereiro 2013 | 16h54

RIO BRANCO - Trinta e nove mandados de busca, apreensão e de prisão foram executados nesta sexta-feira, 2, para desarticular a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Acre. Em três meses de investigação e 2.160 horas de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o serviço de inteligência da Polícia Civil identificou todo esquema de trabalho do grupo criminoso.

No Acre, o líder do PCC, Tiago da Silva Gomes (conhecido como Mestre dos Magos ou Paciência) mantinha contato com outros dois presos em penitenciárias localizadas no interior de São Paulo e no Mato Grosso. As ordens e orientações eram emitidas pela dupla a partir dos presídios.

Dos 39 presos, apenas cinco estavam livres. Os demais ou já cumpriam pena ou foram presos recentemente. O Ministério da Justiça já autorizou a transferência dos seis presos mais perigosos. Eles saem hoje de Rio Branco.

Seis contas bancárias utilizadas pelo grupo para transações criminosas foram bloqueadas pela polícia e serão alvos de investigação. Durante as prisões efetuadas, foi apreendido um livro que registrava toda a movimentação contábil do PCC no Acre.

"Para os integrantes do PCC, ser preso, às vezes, é até um prêmio porque significa uma progressão dentro da própria organização criminosa", explica o secretário de Estado de Polícia Civil, Emylson Farias, durante entrevista coletiva onde estavam representantes da Secretaria de Estado de Segurança Pública, da Polícia Militar e do Instituto de Administração Penitenciária.

"Aqui, eu faço um mea culpa", reconheceu o presidente do Iapen, Dirceu Augusto da Silva. "O Iapen falhou".

Metralhadora

"Na primeira semana de novembro do ano passado, tínhamos 18 membros mapeados", lembra o delegado Alcino Fereira Júnior, um dos coordenadores da operação. "Na terceira semana de janeiro nós já estávamos com 39, justamente os que foram presos agora".

O bloqueador de celulares utilizado nos complexos penitenciários não funcionou em nenhum momento. "Isso aqui, ó", disse o delegado Alcino Júnior erguendo um aparelho celular, "é uma metralhadora nas mãos do PCC dentro de uma penitenciária".

Um dos reflexos da atuação do grupo no Acre é um aumento de apreensão de maconha nos últimos anos. Só em 2012, foram apreendidas 1,5 toneladas de maconha no Acre, contabilizadas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

"O investimento em segurança pública é muito aquém do que é necessário", desabafa Alcino Júnior que passou por dificuldades para manter equipe trabalhando em tempo integral para executar a Operação Diáspora.

Esse material era adquirido pelo grupo ao preço de R$ 600 o quilo no Centro-Oeste e Sudeste e era vendido no Acre a R$ 1,2 mil o quilo.

15 assaltos de médio porte e 3 assassinatos foram evitados

A Galeria Meta e o Via Verde Shopping, dois importantes centros comerciais de Rio Branco, seriam assaltados pelos integrantes do PCC no fim do ano passado. O monitoramento feito pela Polícia Civil evitou a execução do crime.

São nesses assaltos que o grupo criminoso se capitaliza e consegue recursos para compra de armas, facilitada pela proximidade com a fronteira com o Peru e Bolívia.

Ao todo, foram 15 assaltos (de grande e médio porte) que o trabalho da Polícia Civil conseguiu neutralizar. Além disso, a investigação conseguiu evitar que três pessoas fossem assassinadas. Entre elas, uma policial civil. "O PCC iria matá-la especificamente pelo fato de ser policial civil", pontuou o delegado Alcino Ferreira Júnior. O comando para execução das mortes partiu de dentro do presídio.

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