Operação em favelas do Rio deixou dez mortos, e não 12

Secretaria de Saúde chegou a dizer que 12 morreram; Polícia Civil conta 9 vítimas e três presos na operação

da Redação - estadao.com.br,

04 Fevereiro 2009 | 17h52

Dez pessoas morreram e sete foram presas em uma operação policial com cerca de 300 policiais civis de diversas delegacias especializadas do Rio realizada nesta quarta-feira, 4, nas favelas da Coreia, Vila Aliança, Jabour e Rebu, na zona oeste da cidade. O número de 12 vítimas chegou a ser confirmado pela Secretaria de Saúde do Rio, que voltou a atrás e afirmou que dez pessoas morreram. No entanto, a polícia afirma que nove pessoas morreram - três mortos pela PM e outros seis pela Polícia Civil. Entre os mortos estão dois jovens de 15 e 16 anos. Desde outubro de 2007, pelo menos 33 pessoas foram mortas nas operações policiais em comunidades da região.    Policiais civis localizaram a casa do chefe do tráfico na operação desta quarta. Foto: Wilton Júnior/AE    O Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, recebeu dez pessoas que foram vítimas da operação. Apenas um rapaz branco de aproximadamente 20 anos ainda não foi identificado. Os outros mortos, segundo a Secretaria de Saúde, foram identificados como: Rogério da Costa Vieira, de 37 anos; Wellington Broxini Lira e Diego Muniz Gomes, ambos de 24 anos; Tiago Luiz Bonassio Martins e Leandro Lopes Rosa, ambos de 23 anos; Tiago Santos Gomes, de 21 anos; Felipe Silva, de 18 anos; Diego, de 15 anos, e Josué, de 16 anos. Dos presos, apenas Jucélio Gonçalves das Neves, de 43 anos, tinha antecedentes e mandado de prisão por roubo.   "Não temos dúvidas que os mortos eram bandidos, pois trocaram tiros com a polícia", enfatizou o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. Ele afirmou que o alto número de mortes quando há operação naquela região ocorre porque os criminosos das favelas (ligados ao Terceiro Comando Puro) oferecem resistência à ação policial e que isso possibilita a fuga do traficante Márcio da Silva Lima, o Tola, líder do tráfico na região e principal alvo da operação. A exemplo das operações anteriores, o confronto foi intenso logo na chegada dos agentes. No início da operação, uma equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil trocou tiros com um homem na Vila Aliança, que morreu logo no início da ação policial.   Na Coreia, foram instalados gangorras, balanços e quebra-molas nos acessos da favela. "Isso é uma tática dos traficantes. Eles querem colocar as crianças no meio do confronto para impedir a ação policial", afirmou o delegado titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Marcus Vinícius Braga. Na mesma favela, os policiais voltaram a invadir a casa do traficante Juarez Ribeiro da Silva, o Aranha, descoberta há três meses. A casa tinha duas piscinas, sendo a maior com uma cascata e uma churrasqueira. Dentro da casa, os agentes informaram que foram encontrados comprimidos para tratamento da Aids.   O confronto mais intenso na Coreia ocorreu na Rua Santa Luzia, onde cinco homens morreram em uma casa. De acordo com a versão oficial, uma equipe da Dcod teria sido atacada a tiros por bandidos escondidos no segundo andar da casa 18A. Os criminosos teriam mantido a família no primeiro andar como escudo. Houve intensa troca de tiros e os traficantes foram mortos. Ninguém da família ficou ferido, mas muito abalados os moradores não quiseram dar declarações. A Polícia Civil apresentou sete pistolas, um revólver, duas granadas e quatro sacos com papelotes de cocaína apreendidas.   Ao final da operação, 30 homens do 14º BPM permaneceram nos acesos das comunidades. Na favela do Rebu, houve troca de tiros e três homens morreram. "Eles voltavam para a favela, não acataram a voz de prisão. Após o confronto apreendemos com eles três pistolas e cinco granadas", disse o comandante do 14ºBPM, Pedro Paulo da Silva. À tarde, Ana Maria Souza, de 43 anos, deu entrada no Albert Schweitzer com um tiro nas nádegas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o estado dela é estável e não há risco de morte.    Fama   As favelas da Coreia e da Vila Aliança, na zona oeste, fazem parte de um complexo que inclui ainda o Rebu e o Jabour, uma das regiões mais violentas do Rio. Há um ano e três meses, uma operação policial tornou a área ainda mais famosa quando o assassinato de dois traficantes por policiais em um helicóptero foi filmada e mostrada em telejornais.   As cenas gravadas pelo cinegrafista mostraram dois homens pardos - pelo menos um deles armado - e sem camisa fugindo dos tiros do helicóptero descendo pela mata da Vila Aliança. Em poucos segundos e após inúmeros disparos, os dois foram atingidos. Na ocasião, a operação policial deixou 10 traficantes mortos.   Foram pelo menos cinco horas de trocas de tiros que resultaram ainda nas mortes de um menino de quatro anos e de um policial. Outros três policiais ficaram feridos, entre eles o chefe da Coordenadoria de Operações Especiais (Core), delegado Rodrigo Oliveira, atingido de raspão por um tiro de fuzil no pescoço. Ele precisou ser resgatado de helicóptero de dentro da favela.   (Com Pedro Dantas, Talita Figueiredo e Elvis Pereira)   Texto ampliado às 19h42 para acréscimo de informações.

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