Operação Hurricane apreende duas toneladas de documentos

Diante do silêncio da maioria dos presos pela Operação Hurricane (furacão, em inglês) nos depoimentos prestados sábado e domingo, a Polícia Federal resolveu mudar a prioridade nas investigações do esquema irregular dos jogos de máquinas caça-níquel, e vai se concentrar na documentação apreendida durante a operação. A PF acelerou a vinda, de avião, de toda a documentação apreendida nas casas e escritórios dos 25 detidos, e vai suspender a tomada de depoimentos, assim que o material chegar, para concentra-se na papelada. Os documentos somam cerca de duas toneladas, incluindo papéis e discos rígidos de computadores. Um avião fará dois vôos entre Brasília e Rio de Janeiro, ainda neste domingo, para transportar todo o material. A PF decidiu mudar a estratégia depois de tomar 17 dos 25 depoimentos previstos. Como a maioria dos ouvidos seguiu a instrução dada pelos advogados, de reservar as respostas para dá-las apenas em juízo, o comando da investigação concluiu que era melhor aproveitar o tempo analisando o material já apreendido. Os advogados orientaram seus clientes a adotar essa estratégia em protesto por não terem tido acesso ao conteúdo do processo. Apesar da suspensão dos depoimentos, a PF informou que os interrogatórios poderão recomeçar assim que os delegados considerarem conveniente. Pessoas que já foram ouvidas poderão também ser reinquiridas e, até, acareadas com outras. A Operação Furacão prendeu, no Rio, na última sexta-feira, 25 pessoas, incluindo desembargadores, advogados, bicheiros e delegados da Polícia Federal. Carros e dinheiro Os 51 veículos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Hurricane foram avaliados em cerca de R$ 10 milhões, incluindo uma Mercedes-Benz de cerca de R$ 550 mil. Além dos veículos, a PF apreendeu cerca de R$ 10 milhões em dinheiro, R$ 5 milhões em talões de cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras esterlinas. Grande parte do dinheiro estava escondida numa das casas revistadas, atrás de uma parede falsa, que foi arrebentada a marretadas pelos agentes federais. Entre os presos estão dois desembargadores do Tribunal Regional Federal do Rio, um juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, um procurador regional da República no Rio, dois delegados federais e o advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça. A apreensão mais curiosa ocorreu em um cofre do bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio. Foram encontrados, no cofre, 27 relógios de pulso luxuosos.

Agencia Estado,

15 Abril 2007 | 12h32

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