Operação no Brasil desmantela rede internacional de prostituição

Na extensa lista de clientes, há grandes empresários, executivos e autoridades de EUA, França e Caribe

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Uma operação aparentemente de rotina, desencadeada no Brasil há um mês, está ajudando os governos dos Estados Unidos e da França a desmantelar, com auxílio da Interpol, uma gigantesca rede de prostituição de alto luxo, com envolvimento até de políticos desses dois países. O esquema, investigado em São Paulo pela Operação Harém, da Polícia Federal, consistia no recrutamento de jovens brasileiras e posterior agenciamento para clientes no exterior, que as escolhiam num catálogo eletrônico de fotos.

Na extensa lista de clientes, há grandes empresários, executivos e autoridades públicas internacionais, incluindo políticos de Las Vegas, no Estado americano de Nevada. Na França e no Caribe, onde também há ramificações do esquema, a investigação também avança, com ajuda da Interpol. Durante a operação, deflagrada em 1º de agosto, 15 mulheres foram detidas em São Paulo e confirmaram o esquema. Mas todas foram liberadas após o depoimento porque, com base na legislação brasileira, foram consideradas vítimas do tráfico internacional de mulheres, segundo explicou uma fonte policial com acesso às investigações.

Ao contrário das mulheres aliciadas, os operadores e financiadores do esquema responderão perante a Justiça de Brasil, Estados Unidos, França e Caribe. Conforme a denúncia do Ministério Público à Justiça Federal em São Paulo, os réus brasileiros responderão pelos crimes de tráfico internacional e nacional de pessoas com fins de prostituição, rufianismo (tirar proveito da prostituição alheia), formação de quadrilha e favorecimento à prostituição.

Conforme a denúncia, seis grupos atuavam no esquema, sendo três deles no Brasil, onde ficava o núcleo central responsável pelo agenciamento e aliciamento das mulheres. Elas eram enviadas para Estados Unidos, Caribe e França, onde ficavam os outros três grupos. Algumas seguiam para acompanhar clientes em programas em grandes cassinos de Las Vegas, em resorts da República Dominicana e outros locais no Caribe. Outras recebiam os clientes no Brasil mesmo, em cidades como Rio, Vitória e São Paulo.

BOOK ELETRÔNICO

Geralmente, as garotas eram escolhidas pelos clientes em um book eletrônico, com fotos delas. As imagens ficavam em uma conta de e-mail e eram disponibilizadas aos clientes mediante senha.

No exterior, conforme as investigações, as brasileiras eram recebidas por outros aliciadores, que haviam negociado o envio com os operadores brasileiros do esquema. Lá, eram hospedadas em casas ou resorts. As investigações foram iniciadas há um ano, com base numa denúncia no Estado do Espírito Santo, quando foi desvendado um esquema de envio de brasileiras para prostituição no exterior. Posteriormente, com o avanço das apurações, o processo foi remetido para São Paulo.

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