Operação Pandora apura esquema no lixo do DF

BRASÍLIA

, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

A Polícia Federal cumpriu ontem mandados de busca e apreensão em empresas de lixo em Brasília dentro do inquérito que investiga a promotora de Justiça Deborah Guerner. O inquérito tramita no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região em segredo de Justiça e investiga os indícios da prática de corrupção passiva. O relator é o desembargador Souza Prudente.

A investigação faz parte da Operação Caixa de Pandora, que apura o esquema de corrupção no Distrito Federal ? o caso derrubou o governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e o vice-governador Paulo Octávio.

A busca feita pela Polícia Federal a pedido do procurador regional da República, Ronaldo Albo, teve como objetivo descobrir se houve ingerência nos contratos entre as empresas de limpeza urbana e o governo do Distrito Federal. As investigações podem comprometer o procurador-geral do DF, Leonardo Bandarra.

No último dia 7, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou, por unanimidade, processo administrativo disciplinar contra Bandarra e Deborah, pela suspeita de faltas disciplinares. Segundo o delator do mensalão do DEM, o ex-secretário Durval Barbosa, Deborah teria negociado propina em nome de Bandarra para o Ministério Público não incomodar a gestão de Arruda. Bandarra nega as acusações e atribuiu a suspeita a suposta vingança de Barbosa por denúncias feitas contra ele pelo Ministério Público do DF.

Depoimentos, quebra de sigilo telefônico e perícia técnica agravaram a situação do procurador-geral. De acordo com sindicância da corregedora do Ministério Público do DF, Lenir de Azevedo, há "estreito e promíscuo relacionamento" entre os dois procuradores.

O relatório aponta indícios de "parceria" entre ambos. A quebra do sigilo do telefone da promotora mostrou, segundo Lenir, "intensa comunicação telefônica" entre ela e Bandarra numa madrugada posterior a encontro entre a promotora e Durval Barbosa, para tratar de um mandado de busca e apreensão na casa do delator do esquema.

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