Marcell Roncon/Futura Press
Marcell Roncon/Futura Press

Megaoperação contra pedofilia prende 108 em 24 Estados e no DF

Seis meses de investigações resultaram na ação com mil policiais; criminosos usavam a deepweb

Bibiana Borba, Felipe Resk e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 07h47
Atualizado 20 Outubro 2017 | 23h34

RIO E SÃO PAULO - Cento e oito pessoas foram presas nesta sexta-feira, 20, sob acusação de produzir e disseminar conteúdos de pedofilia na internet em 24 Estados e no Distrito Federal, no que foi considerada a maior operação policial dessa natureza da América Latina e uma das maiores do mundo. Em seis meses, a denominada Operação Luz na Infância analisou 151 mil arquivos e nesta sexta-feira, com 1,1 mil policiais nas ruas, tentou cumprir 178 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

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A ação foi coordenada pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com secretarias de segurança regionais, polícias civis e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. A Senasp disse que com os presos foram encontrados materiais pornográficos que evidenciam a exploração sexual de crianças e adolescentes. Em alguns casos, os presos eram responsáveis também pela produção do conteúdo e um número não revelado foi preso em flagrante pelos policiais.

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“Essa investigação foi resultado de um esforço internacional, juntamente com os Estados Unidos e vários países da Europa, como Espanha e Reino Unido”, afirmou o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Segundo o ministro, a cooperação com esses países é contínua e abarca outros crimes, como tráfico de drogas, armas e pessoas, crimes financeiros e cibernéticos. Segundo o ministro, foram identificados indivíduos e também grupos de criminosos, que atuam isoladamente e em rede.

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Os policiais não sabiam o que iam encontrar. Qualquer um ficaria extremamente indignado ao tomar conhecimento de indivíduos que estão molestando bebês de 6 meses.
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Elisabete Sato, delegada do DHPP de São Paulo

Com base nas informações coletadas na investigação, as Polícias Civis dos Estados instauraram inquéritos policiais. A operação só não foi realizada em dois Estados, Amapá e Piauí, porque não houve tempo hábil nessas regiões para a conclusão das investigações.

Foram apreendidos computadores e dispositivos informáticos usados pelos criminosos, onde estavam armazenados os conteúdos. O ministro explicou que criminosos mais sofisticados conseguem invadir computadores alheios, onde trabalham secretamente. Ele explicou que os investigadores sabem diferenciar os criminosos dos hospedeiros involuntários, que não foram presos.

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Deepweb

A investigação apurou materiais divulgados na chamada deepweb, ambiente online acessado por softwares específicos e comumente usados por pedófilos para hospedar e compartilhar os materiais fruto de crime. “É lá que atuam as grandes redes criminosas”, afirmou. 

A investigação foi feita com ajuda de especialistas. Conforme o Ministério da Justiça, o conteúdo era caracterizado pelo “teor bárbaro e nefasto” dos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.

“A internet facilita esse tipo de conduta criminosa e, via de regra, os criminosos agem nas sombras e guetos da rede mundial de computadores. Luz na Infância significa propiciar às vítimas o resgate da dignidade, bem como tirar esses criminosos da escuridão para que sejam julgados à luz da Justiça”, diz a nota divulgada. 

Em São Paulo, fotos de bebês molestados chocaram policiais

Em São Paulo, a operação prendeu em flagrante 25 homens, com idades entre 20 e 70 anos, segundo a Polícia Civil. Com eles, os policiais encontraram até fotos de bebês sendo molestados.

“É um crime tão pernicioso que é impossível dizer todas as coisas que nós vimos hoje. Vários colegas vieram até mim para dizer ‘doutora, eu nunca tinha visto coisa tão horrível como essa’. São bebês, são crianças...”, afirmou a delegada Elisabeth Sato, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que coordenou os trabalhos no Estado.

Entre os presos havia um usuário de cadeira de rodas. “Teve preso que tinha mais de mil imagens”, disse o delegado Alfredo Celso Mendes Gibelli, titular da Delegacia de Repressão e Combate à Pedofilia. “Tinha investigado com até 500 imagens.”

Para entender: prisão chega a 15 anos

Os crimes investigados pela operação de ontem são punidos de forma diferente de acordo com a sua gravidade. Praticar ato libidinoso ou conjunção carnal com menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável pelo Código Penal com pena de prisão de 8 a 15 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi alterado para punir a produção, venda e distribuição de pornografia infantil.

Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente dá prisão de até oito anos. Distribuir esse conteúdo é crime com pena de seis anos de cadeia. Já possuir ou armazenar esse material é punido com quatro anos de reclusão. 

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