Polícia Civil RN/Divulgação
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Operação prende 14 de quadrilha ligada a ataques no Rio Grande do Norte

Polícia Civil e MP investigaram grupo acusado de financiar atos de violência no mês passado e de possuir envolvimento com tráfico de drogas

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2016 | 19h39

SÃO PAULO - Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte cumpriu 14 mandados de prisão preventiva contra acusados de integrar uma quadrilha de tráfico de drogas, cujo patrimônio foi estimado em R$ 20 milhões. O inquérito apontou que o grupo também estaria por trás do financiamento da série de ataques que aconteceram no Estado no fim de julho e início de agosto; nesta terça-feira, 6, foram apreendidos 300 litros de gasolina, combustível que seria usado na continuidade dos atos de violência.

A instalação de bloqueadores de sinal de celular na Penitenciária Estadual de Parnamirim, na Grande Natal, desencadeou a reação de detentos ligados a facção denominada Sindicato do Crime RN. Foram 108 ataques em 38 cidades potiguares em menos de duas semanas. A reação só cessou diante do reforço de tropas das Forças Armadas, que ocuparam a capital, e ações de investigação que prenderam envolvidos com os crimes.

Em entrevista coletiva para divulgar os resultados da operação chamada de Medellin, o secretário-adjunto da Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, Caio Bezerra, disse que entre os presos estão lideranças do Sindicato do Crime. “Temos elementos concretos que mostram que essas pessoas que foram presas hoje ordenaram e financiaram os ataques promovidos no final do mês de julho. Essa foi uma operação importante do ponto de vista do combate a macrocriminalidade, numa atuação conjunta e nosso objetivo principal foi alcançado, com a prisão da cúpula dessa facção criminosa”.

“Temos certeza de que o núcleo principal foi desmantelado, para eles foi um grande baque. Nós estamos em busca de prender os outros envolvidos”, acrescentou o delegado-geral de Polícia Civil, José Claiton Pinho de Souza.

Lavagem. A operação tinha como foco também a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens supostamente praticadas pelo grupo. Entre os detidos estão dois advogados que davam apoio ao funcionamento da quadrilha; entre os que tiveram a prisão decretada, três pessoas já se encontravam detidas por crimes anteriores. Foram cumprindos ainda 36 mandados de busca e apreensão e 12 de condução coercitiva. 

A operação resultou no sequestro de bens, entre eles, 20 veículos de luxo e 17 imóveis de alto padrão que ficam em condomínios de luxo de Parnamirim, segundo informado pela Polícia Civil do Estado. Durante a ação nesta terça foram apreendidos armas, munições, máquina de contar cédulas, além de relógios e joias. A investigação contou com levantamento do patrimônio dos investigados, “notadamente com movimentações financeiras altas sem comprovação de renda e, na maior parte das vezes, com evolução patrimonial injustificada”, sustentou o Ministério Público. 

“Esse foi um trabalho em silêncio e com eficiência. Hoje é um dia de vitória para a segurança pública do Rio Grande do Norte e de mostrar que o Estado é mais forte do que a criminalidade”, disse o governador Robinson Faria. 

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