Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Operações decorrentes da intervenção militar no Rio ainda não começaram

Militares estão alocados em Laranjeiras e em outros bairros da zona sul do Rio apenas por conta da presença do presidente Michel Temer

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2018 | 12h17

RIO - As operações decorrentes da intervenção federal na segurança do Rio, decretada na sexta-feira, 16, ainda não começaram, segundo o Comando Militar do Leste. Os militares vistos mais cedo pela reportagem do Estado estão alocados em Laranjeiras e em outros bairros da zona sul do Rio apenas por conta da presença do presidente Michel Temer (MDB) no Palácio Guanabara. Ele irá se reunir com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) sobre as medidas a serem tomadas daqui para frente.

Segundo o Comando Militar do Leste (CML), estão valendo as ações que já vinham sendo tocadas desde junho do ano passado. Foi quando as tropas federais passaram a reforçar o policiamento no Estado, com vistas ao controle da violência, com presença em favelas tomadas pelo tráfico de drogas e em rodovias. 

Segue o que vigorava na Garantia da Lei e da Ordem (GLO) então, explicou o coronel Carlos Frederico Cinelli, chefe da comunicação social do Comando Militar do Leste.

O que muda em relação ao cenário anterior é que o interventor designado por Temer, o general de Exército Walter Souza Braga Netto, é quem irá tomar todas das decisões da área da segurança. Até então, o comando era do governo do Estado. O general irá se reportar diretamente ao presidente Michel Temer (MDB), sem passar pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann.

Braga Netto está no Exército desde 1974 e é doutor em Política, Estratégia e Alta Administração pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Já foi observador militar da ONU no Timor Leste e tem experiência no Rio como chefe da seção de inteligência do Comando Militar do Leste e coordenador geral de defesa da Olimpíada de 2016.

“Ele poderá tomar as decisões, gerir recursos, intervir em liderança dos órgãos. É o governador da segurança pública”, disse o porta-voz do CML, lembrando que os militares poderão fazer revistas a cidadãos. Em caso de crimes cometidos por eles, o julgamento será pela Justiça Militar. 

A intervenção foi decretada para conter a crise de violência no Estado, e tem duração até o fim deste ano. É a primeira do tipo desde a promulgação da Constituição Federal, há 30 anos. A medida ainda terá de ser aprovada pelo Congresso, o que deve acontecer na semana que vem, mas já está em vigor.

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