Operações em Jacarepaguá crescem 111%

Aeroporto onde caiu avião que matou 4 no domingo tem movimentação recorde

Felipe Werneck e Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

O movimento de passageiros no Aeroporto de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, de onde partiu o Cirrus SR22 que caiu no domingo, matando quatro pessoas, aumentou 111% na comparação de janeiro de 2007 (4.023 embarcados) com janeiro deste ano (8.523). Informações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) mostram que, no ano passado, 81 mil pessoas embarcaram em Jacarepaguá, ante 55 mil em 2003. Para conter esse crescimento, representantes de moradores da Barra da Tijuca e o deputado estadual Pedro Paulo (PSDB) foram à sede da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para pedir o fechamento do aeroporto ou redução dos vôos.Ontem, a polícia responsabilizou o empresário Joci Martins, de 77 anos, dono do monomotor, pela troca de combustível, de gasolina por querosene. O erro é apontado como a principal causa do acidente. "Quem abre e quem lacra o tanque é o responsável pela aeronave. Inclusive o combustível é negociado antes do abastecimento", afirmou o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 16 ª Delegacia de Polícia. Assim, Nogueira Pinto isenta o piloto, que passava o plano de vôo à torre, e o funcionário da Petrobrás.Na região desse acidente, o crescimento do número de vôos é alvo de críticas de moradores. À presidente da Anac, Solange Vieira, o diretor da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Odilon de Andrade, denunciou a expansão do aeroporto. "Não é mais só teco-teco, são helicópteros de grande porte, jatos e bimotores", disse Andrade. Segundo os participantes da reunião, Solange comprometeu-se a entregar em 30 dias um relatório sobre o aumento do número de vôos com possíveis medidas para evitá-lo. O deputado Pedro Paulo também encaminhou requerimento à Procuradoria da República de uma ação civil pública em que pede o "fechamento do aeroporto de Jacarepaguá em defesa de interesses difusos e coletivos dos moradores da Barra da TIjuca". ABASTECIMENTOA troca de combustível no abastecimento das aeronaves é considerada um erro "banal", "primário" e "incomum" por pilotos consultados no Campo de Marte, em São Paulo. "Quem pede o abastecimento, verifica os procedimentos, assina a nota e checa a qualidade é o piloto, então a responsabilidade é sempre dele, e não do abastecedor", explicou Fadi Sami Younes, o instrutor e presidente do Aeroclube de São Paulo, destacando que a preocupação com o abastecimento é uma das primeiras exigências passadas a alunos. Todos os tanques têm um ou dois adesivos especificando se a aeronave utiliza o Jet A1 (querosene) ou o AVGas 100 (gasolina). Também os caminhões de abastecimento são identificados de formas distintas.COLABOROU RODRIGO PEREIRA

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