Operário fica preso em poço por 33 h

Ele ficou todo o tempo consciente, num ambiente com 85 cm de diâmetro, a 22 m de profundidade

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

29 Outubro 2008 | 00h00

Após mais de 33 horas de tensão, foi resgatado no início da noite de ontem o operário José Francisco da Silva, de 63 anos, que estava preso desde a manhã de segunda-feira no fundo de uma cisterna em um sítio, no Condomínio Ouro Verde, na cidade de Igarapé, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Silva foi retirado por volta de 18h10, numa operação que mobilizou dezenas de pessoas e um grande aparato. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ele permaneceu durante todo esse período num ambiente com 85 centímetros de diâmetro, a cerca de 22 metros de profundidade. Após ser retirado, o operário recebeu os primeiros socorros e foi levado de helicóptero para o Hospital de Pronto-Socorro João XXII, na capital mineira. Segundo os bombeiros, Silva apresentava um quadro estável, com escoriações, mas aparentemente sem fraturas. Por volta de 8h30 da segunda-feira, o operário efetuava uma escavação na cisterna quando deslocou uma pedra, fazendo duas manilhas do poço desabarem. De acordo com o comandante dos bombeiros, coronel Cláudio Teixeira, a parte frontal do corpo de Silva ficou presa pela pedra, com peso de 500 quilos. "A parte dos destroços das manilhas escoraram o corpo dele por trás." SUCÇÃO Desde o início, a estratégia da equipe de resgate era tentar quebrar o bloco de pedra usando um martelete pneumático. Uma bomba de sucção foi utilizada para evitar que o nível da água subisse na cisterna. A pressão e a respiração de Silva, que permaneceu consciente, precisaram ser monitoradas. Os bombeiros usaram cilindros de oxigênio para melhorar a respiração no poço. Os trabalhos foram acompanhados à distância pela mulher do operário, Maria do Carmo Soares da Silva, de 56 anos, e sete dos oito filhos do casal. A operação avançou pela madrugada e ontem pela manhã a equipe de resgate tentou novas estratégias para resgatar a vítima, pois havia risco de desabamento de outras manilhas. Após quebrar o bloco de pedra, constatou-se que Silva estava preso também pelos pés por uma espécie de barro de sedimentos endurecidos. O trabalho dos bombeiros foi prejudicado pela chuva que atingiu Igarapé no período da tarde. Só na noite de ontem foi possível soltar os pés da vítima. "Eu sempre falei que esse trabalho é perigoso, ainda mais que era uma cisterna que não foi ele que fez", observou, aliviada, a mulher de Silva.

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