Operário invade casa e faz três reféns no interior

Ação começou de madrugada e só terminou 18 horas depois, quando[br]o Gate invadiu o local e libertou a última vítima; arma era de brinquedo

Chico Siqueira, GUARAÇAÍ, O Estadao de S.Paulo

16 Fevereiro 2009 | 00h00

Depois de quase 18 horas de tensão, chegou ao fim o sequestro da arquiteta Dayane Paula Moraes, de 23 anos. Ela foi feita refém em casa, em Guaraçaí, a 610 quilômetros de São Paulo, na companhia de mais duas pessoas. As outras vítimas foram soltas no decorrer do dia, mas a libertação de Dayane só ocorreu às 21h15, depois que o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiu a residência e prendeu o operário Antonio Marcos de Souza, de 31 anos. Quando ele foi capturado, a surpresa: a arma era de brinquedo. Souza aproveitou a chegada da mãe da arquiteta, a corretora Suzy Mari Bizzy, de 50 anos, para entrar na casa, às 3h40. Ao chegar, Dayane e dois amigos foram surpreendidos pelo operário, que segurava uma arma. Os dois amigos foram liberados e Suzy, Dayane e uma amiga, a universitária Larissa de Souza Mendes, foram rendidas e levadas cada uma para um quarto. Larissa estava com o celular e chamou a polícia. A PM iniciou as negociações e, às 6h50, Souza exigiu um colete à prova de balas para soltar Larissa. Na saída, ela comentou: "Ele disse que fui solta por eliminação da casa do BBB". O comentário, segundo os policiais, refletia o estado de espírito de Souza, que não tentou praticar assalto nem conhecia as vítimas. "Ele não fala nada, não explica por que entrou na casa, nem quais são seus objetivos. Parece que quer zoar", contou o delegado Moacir Dagoberto da Silva. Durante as negociações, porém, o operário disse que só sairia dali morto. Após receber o colete, Souza libertou Suzy. "Não sei o que ele quer, não o conhecemos; ele diz que não fará mal a ninguém." A partir das 17 horas, o capitão Antonio Giovannini, do Gate, assumiu as negociações. Depois de uma conversa com Souza por telefone, os policiais decidiram invadir a casa. Por volta das 21 horas, lançaram uma bomba de efeito moral e dispararam tiros de borracha. Na sequência, libertaram Dayane e prenderam Souza. A arquiteta foi levada para a Maternidade de Guaraçaí sem ferimentos, segundo o tenente-coronel Antonio Pardinho. Souza está na Delegacia de Mirandópolis. A polícia não sabe explicar o sequestro. Os agentes e a família de Dayane rejeitam a hipótese de crime passional. "Ela se mudou para cá há menos de um mês e não conhecia o rapaz", disse Lucia Moraes, tia da jovem. Alguns moradores comentaram que Souza teria trabalhado numa construção projetada por Dayane. Segundo a PM, Souza já cumpriu pena em Mirandópolis.

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