Operários de obra em terreno contaminado farão exames

Os trabalhadores envolvidos na construção do condomínio Parque Primavera 2, em Campinas, no interior paulista, começam a ser submetidos a análises clínicas a partir da próxima semana. O terreno sobre o qual está sendo construído o complexo residencial foi contaminado por solventes pela indústria química Proquima, que funcionou no local durante 25 anos. Uma das substâncias encontradas no solo é o cloreto de vinila, que pode provocar câncer.De acordo com o técnico da Coordenadoria de Vigilância e Saúde Ambiental da Secretaria de Saúde de Campinas, Flávio Gordon, cerca de 90 homens trabalharam no canteiro de obras, contratados pela construtora Concima, responsável pelo projeto, ou empresas terceirizadas. Até hoje, 64 fichas de operários haviam sido entregues a Gordon.O complexo inclui quatro edifícios, sendo um concluído e outros dois em fase de acabamento. O quarto não começou a ser levantado. As obras estão embargadas até que o problema seja resolvido. Foram vendidos 240 apartamentos e 50 famílias já moram no local, mas não correm riscos, garante a Cetesb.O técnico disse que numa primeira etapa serão submetidos a análises clínicas os trabalhadores que tiveram contato direto com o solo contaminado. ?Se for necessário, todos serão examinados já na primeira fase?, afirmou. ?Isso tem que ser feito o mais rápido possível?.Ele disse que a partir desta sexta-feira, agentes municipais de saúde percorrerão as cerca de 40 casas do bairro, em torno do residencial, para alertar os moradores que evitem consumir água de poços e nascentes. Os agentes irão ainda coletar água da rede pública de abastecimento para análises.O relatório final sobre as medidas de remediação deverá estar concluído até o início da próxima semana, segundo o gerente regional da Cetesb em Campinas, Fernando Carbonari. Ele disse que o laudo será avaliado pela Cetesb e a empresa terá 90 dias para começar iniciar a remediação. Carbonari afirmou que ainda não há previsão de custos.De acordo com o gerente, foi avaliada um área de 300 metros em torno do terreno contaminado. Ele garantiu que desde outubro passado, quando a contaminação foi constatada, a Concima e a Cetesb têm monitorado periodicamente a emissão de gases e a água distribuída pela rede pública. Nada de anormal foi constatado, afirmou.O bairro Mansões de Santo Antônio é uma das 31 áreas poluídas na região da Cetesb de Campinas, que compreende 37 municípios. Entre os casos mais graves estão a contaminação da Shell no Recanto dos Pássaros em Paulínia e o Aterro Mantovani, em Santo Antônio de Posse, constatadas há pelo menos uma década, mas ainda sem solução.

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