''Opinar, na Venezuela, virou um delito''

ENTREVISTA

RIO, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

Carlos Zuloaga, vice-presidente da TV Globovisión

Representante do pai, o presidente da TV venezuelana Globovisión, Guillermo Zuloaga, que está impedido de sair da Venezuela por responder a processo contra o presidente Hugo Chávez, o vice-presidente da empresa, Carlos Zuloaga, afirmou ontem que o modelo chavista de censura à mídia está sendo exportado. Segundo ele, opinar, na Venezuela, virou um crime - mesmo quando a opinião é emitida fora das fronteiras do país. A seguir, os principais trechos da entrevista de Carlos Zuloaga durante o evento Liberdade de Expressão.

Por que seu pai não pôde vir a este encontro?

Ele está proibido de sair da Venezuela simplesmente por ter emitido uma opinião, e uma opinião sobre fatos históricos da Venezuela, acontecimentos ocorridos no ano de 2002. Ocorreu fora do território venezuelano, em uma reunião da SIP, na ilha de Aruba. Opinar, na Venezuela, virou um delito. Delito de opinião, dos quais temos casos similares.

Este modelo de Hugo Chávez para cercear a liberdade de imprensa está-se expandindo para outros países?

Bem, se vê claramente, com o exemplo que vemos do Equador, da Argentina, nos quais há um modelo que se repete nesses países, muito similar. Com leis que limitam a liberdade de expressão, com impostos, com outras formas, vemos que é um modelo que é exportado.

Como o senhor vê os próximos anos de governo Chávez?

Vê-se claramente que o presidente Chávez já tem uma visão do que vai ser o futuro da Venezuela, quando disse que não há sucessão alguma e que não vê um sucessor. Quando Chávez disse que não tem nem sequer data para sair do governo, se vê claramente que este governo vai crescer e vai continuar.

E os demais poderes, como se portam?

O presidente dá ordens publicamente a todas as instituições. E o que ocorre é que o que ele manda se cumpre.

O sr. corre o mesmo perigo que seu pai, se estivesse aqui?

Isso estamos vivendo na Venezuela, onde uma opinião pode atrair uma consequência. É um alto risco.

Qual é a acusação a seu pai?

Vilipêndio, ofensa ao presidente, e difusão de informações falsas.

Há outro processo, de fraude?

Esse processo segue aberto. Vê-se claramente que é uma discriminação, como tratam meu pai por ser simplesmente presidente da Globovision.

Além das fronteiras. O modelo de Hugo Chávez, de limitar a liberdade de expressão, está sendo exportado, analisa Carlos

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