'Oportunista, DEM quer lavar a cara com a força moral e o prestígio do Serra'

Roberto Jefferson, Presidente do PTB

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, definiu ontem como "oportunista" a insistência do DEM de indicar o vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência. Para ele, trata-se de uma tentativa de "lavar a honra" atingida pela renúncia de seu único governador, José Roberto Arruda, por conta dos escândalos de corrupção no seu governo. "Querem lavar a cara no prestígio do Serra", criticou. "Cada um deve carregar a sua cruz."

Jefferson garantiu que a sua divergência quanto à escolha do vice não altera a decisão do PTB de apoiar o candidato tucano. Mas o procedimento teria sido outro, avisou, se o PSDB não tivesse levado tão longe seu empenho em ter como vice o ex-governador mineiro Aécio Neves.

Por que o senhor critica a decisão do DEM de indicar o candidato a vice de José Serra?

O erro (do partido) foi impor ao Serra um vice que ele não queria. Entendo que o DEM não agiu bem. Foi oportunista porque sabe da necessidade que o Serra tem dos 2 minutos na televisão e no rádio e lhe impôs um vice, quando era muito mais seguro formar uma chapa puro-sangue. Era muito mais seguro ter uma chapa fechada no PSDB para que a candidatura não ficasse vulnerável.

Quais são os motivos dessa vulnerabilidade?

Porque tem aí um passado muito recente, do Arruda. Há um forte comentário de dossiês nas mãos de advogados, um fortíssimo comentário. E um aloprado faz qualquer negócio por um dossiê desses. Eu não sei qual é a chance de um advogado resistir com esse segredo debaixo do braço. E também porque esses detalhes terão um peso louco lá pra meados de setembro. O DEM forçou muito, demais.

O fato de o vice, deputado Índio da Costa, ser ligado à família do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, altera a situação?

Não, não. Os Maia são os donos do DEM. Quando César Maia comprou o PFL, comprou o ponto. Mudou a razão social para fugir do fisco, fez o Democratas e botou o filho como presidente. E ainda escreveu na porta: sob nova direção.

Suas críticas podem ser entendidas como represália ao fato de o vice não ser do PTB?

De jeito nenhum. O que eu quero é proteger o Serra. Ele tem de ser protegido, não é a gente aproveitar o momento para lavar a honra com a força moral que ele tem. Lavar a cara com o prestígio do Serra. Cada um carrega sua cruz.

O PSDB foi inábil por arrastar a escolha do vice até o prazo final?

Ocorre que o Aécio ficou muito tempo na porta. A luta por baixo já havia, mas contra o nome do Aécio ninguém se lançava.

O PTB vai relaxar no apoio a José Serra?

Não não vamos romper nem criar embaraço. Só vou falar sobre isso hoje e nunca mais vou repetir. Não fiquei satisfeito, não achei correta a posição do DEM. Precisamos é fortalecer o candidato. Não fragilizá-lo.

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