Oposição abandona sessão e deixa relator sozinho

Para Demóstenes Torres, ?tubarões foram livrados e as sardinhas foram apanhadas?

O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2007 | 00h00

O relatório da CPI do Apagão Aéreo foi votado pela base governista na presença de apenas um senador da oposição - relator Demóstenes Torres. Os outros integrantes saíram, em protesto contra manobras do Planalto para excluir apadrinhados do texto final.Depois de ter visto, o governo adiar a apreciação do relatório por duas vezes - na semana passada e anteontem -, o líder dos Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN), chegou a pedir novo adiamento. A alegação era de que o PDT cederá vaga ao DEM na comissão e a votação só deveria ocorrer após essa substituição. O pedido de Agripino foi imediatamente indeferido pelo presidente da CPI, senador Renato Casagrande (PSB-ES). A negativa fez os oposicionistas deixarem a comissão. Saíram, além de Agripino e do presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), os parlamentares Papaleo Paes (PSDB-AP), Mário Couto (PSDB-PA), Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) e Raimundo Colombo (DEM-SC). Participaram da votação final, além de Demóstenes, os senadores João Pedro (PT-AM), que fez a leitura do relatório vencedor, os líderes do PT, Ideli Salvatti (SC), e do PMDB, Valdir Raupp (RO), Sérgio Zambiasi (PTB-RS), Gilvam Borges (PMDB-AP) e Wellington Salgado (PMDB-MG). Casagrande, na condição de presidente, só votaria em caso de empate, o que não ocorreu.Relator da CPI, Demóstenes lamentou a derrubada de seu relatório. " Ficaram os pés-de-chinelo. Lamentavelmente os tubarões foram livrados e as sardinhas foram apanhadas."Demóstenes ainda criticou a retirada do nome de Carlos Wilson. "A base governista só se reuniu aqui [NA COMISSÃO]duas vezes. A primeira, para impedir a quebra dos sigilos do senhor Carlos Wilson, e a segunda vez, hoje, para livrá-lo do relatório." [/NA COMISSÃO]Por sua vez, João Pedro criticou o texto de Demóstenes e classificou o relatório original de "politizado" e "carregado de impressionismos". "Não há provas que justifiquem o pedido de indiciamento deles (dos nove excluídos)", limitou-se a dizer o petista, sem dar explicações. "Infelizmente, toda CPI estabelece uma disputa entre a base aliada e a oposição, e essa disputa acaba deixando o relatório manco. Pessoas que precisavam ser indiciadas não foram, pessoas que foram indiciadas não precisavam ser. Então, infelizmente o resultado não é aquilo que a gente esperava", lamentou Casagrande.

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