Oposição agora convoca Vaccari na CPI das ONGs

Pelo segundo dia consecutivo, oposicionistas aproveitam descuido governista para manter escândalo da Bancoop em evidência

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Pelo segundo dia consecutivo, a oposição aproveitou-se de um cochilo da base governista no Senado e conseguiu aprovar, desta vez na CPI das ONGs, a convocação do tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto.

A CPI aprovou ainda convites para que prestem depoimento o promotor José Carlos Blat, que investiga supostos desvios na Bancoop, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro e Hélio Malheiro, irmão de Luiz Eduardo Malheiro, ex-presidente da cooperativa que morreu em novembro de 2004, vítima de acidente de carro em Pernambuco.

Ao Ministério Público, em 2008, Hélio relatou que o irmão lhe contou sobre pressão política que sofria e que fora obrigado a entregar dinheiro da cooperativa para campanhas do PT.

Os depoimentos de Blat e Vaccari foram marcados para terça-feira. Os outros ainda não têm uma data fechada, mas a ideia é que sejam realizados em dias separados.

Blat não decidiu se aceita o convite para ir à CPI. A colegas de promotoria ele tem dito que as informações que colheu ao longo de quase três anos de investigação estão nos autos.

Há duas semanas, o promotor requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal de Vaccari. A Justiça, porém, pediu ao promotor que explique com precisão o que apura contra o tesoureiro do PT.

Articulação. Para aprovar os requerimentos ontem, a oposição se articulou na véspera, quando também obteve vitória na Comissão de Direitos Humanos do Senado, com a aprovação de convite para depoimento de Vaccari, Blat, Funaro e Pedro Dallari, advogado da Bancoop. Dallari nega irregularidades na gestão da cooperativa.

Com a Casa esvaziada, os requerimentos foram aprovados com apenas seis assinaturas. Enquanto os senadores aprovavam a convocação, o relator da CPI, senador Inácio Arruda (PC do B-CE), da base do governo, participava, na sala ao lado, da sessão da Comissão de Relações Exteriores. A oposição negou manobra e falou em negligência do governo.

"Todo mundo sabia que tinha sessão. O governo foi negligente", disse o presidente da CPI, Heráclito Fortes (DEM-PI). "A CPI estava na UTI, em coma, e agora acordou. Todo mundo sabia que isso podia acontecer, já que está prorrogada até setembro."

Assunto grave. Questionado sobre o fato de o caso Bancoop não estar diretamente relacionado ao tema da comissão parlamentar de inquérito, Heráclito disse que o assunto é grave. "As pessoas colocaram as poupanças de suas vidas na Bancoop, cujo garoto-propaganda em 1999 era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", argumentou o senador.

Para Inácio Arruda, a oposição "tomou o céu de assalto". Mas, segundo ele, não é o caso de o governo tentar reverter. "O assunto Bancoop não tem nada a ver com CPI das ONGs. A CPI não pode ser objeto de interesse ocasional", afirmou.

Caso cheio de polêmicas

1995

Ricardo Berzoini cria a Bancoop

2006

Ministério Público apura denúncias

2008

O promotor José Carlos Blat depõe na Assembleia

2010

Cooperados de 18 entidades pedem intervenção da entidade

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