Oposição ainda junta cacos, mas já esboça eixo de ataque

Divisão acentuada pela derrota de José Serra permanece, mas críticas surgem e miram gastos públicos, PAC e inflação

Christiane Samarco e Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

A oposição ao governo Dilma Rousseff passou os primeiros dias da atual gestão dividida entre as tarefas de juntar os cacos de mais uma derrota para o PT e encontrar um discurso que faça frente à nova presidente. Somente na semana passada, o PSDB, principal partido de oposição, encaixou críticas ao governo Dilma. Aumento dos gastos públicos, desaceleração do PAC e descontrole da inflação vão formar o tripé do ataque oposicionista.

Esses foram os eixos do discurso que o senador e presidenciável tucano Aécio Neves (MG) proferiu no Senado quarta-feira passada. Esses pontos também foram reforçados pelo líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP). "O governo está trabalhando com orçamentos paralelos: o que foi aprovado para este ano e o dos restos a pagar do governo anterior, que se transformaram em uma bola de neve e que reduzem a capacidade de investimento", afirmou Nogueira. "Vemos, infelizmente, renascer, da farra da gastança descontrolada dos últimos anos, e em especial do ano eleitoral, a crônica e grave doença da inflação", afirmou Aécio.

Mas o desafio ainda é grande. Não bastassem os 56% de aprovação da presidente Dilma Rousseff, segundo pesquisa Ibope, os seus adversários ainda penam com a falta de rumo diante de uma personalidade discreta e econômica na retórica. "O Lula facilitava a oposição parlamentar porque falava demais e abria espaço para o contraditório. Dilma, não", resume o presidente nacional do PSDB, o deputado Sérgio Guerra (PE).

O tucanato já notou que Dilma analisou o discurso do adversário da época da campanha, José Serra. "Agora, ela ensaia um pedaço do discurso do Serra no governo", observa Guerra, ao destacar que Dilma fala em austeridade, controle de gastos, direitos humanos e gestão profissional na saúde, além de procurar mostrar que a política externa mudou. O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), observa que uma coisa é o discurso, e outra, a prática. Mas admite que no primeiro momento, o que prevaleceu mesmo foi o discurso. "Fica a aparência, que não é ruim", concorda Guerra.

Divisão. Se por um lado o DEM implodiu com a perda de seu principal quadro no Executivo - o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que criou o novo PSD - o PSDB também enfrenta o velho racha entre Minas e São Paulo e a falta de foco que penaliza o conjunto da oposição. "Os eleitores do PSDB têm simpatizado com as ações da presidente Dilma e isto tem preocupado o partido", disse a certa altura da reunião fechada dos governadores tucanos no dia 28 passado o anfitrião Antonio Anastasia (MG). "Faço um parêntese à fala de Anastasia", atalhou o paulista Geraldo Alckmin. "Nós não vamos atacar ou criticar a pessoa da presidente, mas temos realmente que fazer nosso papel de oposição, criticando o governo". Alckmin ressaltou que o Brasil não é "vocacionado" para ter um partido somente, e afirmou que o PSDB tem que se preparar para a alternância do poder.

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