Oposição amplia divisão e PPS quer novo bloco

Às vésperas da abertura da nova legislatura no Congresso, guerra fratricida dos tucanos, divididos entre ''aecistas'' e ''serristas'', se reflete no DEM

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A dez dias da abertura dos trabalhos do novo Congresso, a oposição consome sua energia brigando entre si. O velho racha do PSDB, que opõe o grupo mineiro de Aécio Neves ao paulista de José Serra, expandiu seus limites para o DEM, e o PPS, linha auxiliar dos tucanos, está em vias de formar um bloco parlamentar com o PV, sigla da base de apoio à presidente Dilma Rousseff.

A expectativa do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, é a de que será possível atrair o PV para a oposição. Mas o interesse do PV é conquistar o comando da Comissão de Meio Ambiente para o deputado Zequinha Sarney (MA), filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado de Dilma.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), diz que, nos primeiros dias de fevereiro, seu partido quer se reunir com o DEM e com o PPS para discutir os rumos da oposição no Parlamento. "Sozinhos, não temos condições de tocar a oposição", admite.

As lideranças do PSDB no Congresso já estão definidas: os novos comandantes das bancadas tucanas serão o senador Álvaro Dias (PR) e o deputado Duarte Nogueira (SP). Não houve disputa interna, mas nem por isto o quadro é de satisfação geral com a escolha. O futuro líder na Câmara é ligado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mas a ala serrista do partido o considera "light" demais.

O maior expoente do PSDB no Senado será Aécio Neves. A expectativa quanto à atuação do ex-governador de Minas, no entanto, é a de que, fiel ao estilo conciliador, ele também não fará uma oposição radical ao governo.

"Este governo não é novo nem está começando. É um governo de continuidade, entrando em seu nono ano", observa o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), em defesa da tese de que a presidente Dilma não deve contar com a tradicional trégua de cem dias, por parte da oposição.

Para dar subsídios aos deputados e senadores na tarefa de fiscalizar e combater o governo, a direção do PSDB está finalizando um relatório técnico detalhado sobre as debilidades da administração Lula em cada setor.

Rodrigo Maia diz que, para uma oposição mais eficaz, é importante haver convergência. "Agora, mais do que nunca, precisamos estar juntos, a despeito das divergências, inclusive ideológicas", defende ele, incluindo na proposta de união não só os tucanos, mas todas as forças oposicionistas. O DEM, no entanto, assimilou o eterno conflito do PSDB e vive um luta fratricida entre os grupos de Maia, aecista, e o de Gilberto Kassab, serrista.

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