Oposição atribui derrota à falta de apoio das centrais

Expectativa era que PDT pudesse apoiar R$ 560 para que a diferença de votos a favor do Planalto não fosse tão grande

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ainda de ressaca com a derrota, a oposição culpou as centrais sindicais e o PDT pela falta de mais votos por um mínimo superior aos R$ 545 propostos pelo governo. Os oposicionistas avaliam que houve "erro de estratégia" dos pedetistas ao apostarem em uma dissidência de, pelo menos, 50 deputados da base. Os próprios líderes governistas acreditavam em cerca de 50 traições.

"Em um determinado momento, imaginou-se que a pressão das centrais sindicais trouxesse alguns votos para um mínimo maior", admitiu o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP). "O que ocorreu foi que houve poucas defecções no governo. A oposição ficou do tamanho real que tem. Não houve surpresas", completou. "Esse é o nosso tamanho", reforçou o líder do DEM, ACM Neto (BA).

"Um mínimo superior, principalmente a proposta de R$ 560, não teve o nível de adesão esperado", reconheceu o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP).

Na votação de anteontem à noite, os oposicionistas obtiveram apenas 120 votos para o mínimo de R$ 560, enquanto o governo teve 361 votos. Esse placar só foi possível com os votos de 16 governistas. Pelo mínimo de R$ 600, a performance da oposição foi ainda pior: 106 votos a favor e 376 contra. Apenas dez deputados da base votaram com a oposição.

Divididos. Os três partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS - têm 109 deputados. Com uma bancada de 14, o PV se diz independente e ficou contra o governo. No PDT, 9 deputados votaram por R$ 560 e dois por R$ 600.

Além de contar com poucos votos, os partidos de oposição enfrentaram dissidências. A oposição acabou dando quatro votos favoráveis ao governo, além de ter tido seis deputados ausentes. Insatisfeitos com a escolha de Marcos Montes (MG) para comandar a secretaria-geral do DEM, dois deputados mineiros - Jairo Ataide e Vitor Penido - votaram contra o mínimo de R$ 560.

Na mesma votação, Nice Lobão (DEM-MA), mulher do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), e outros quatro deputados preferiam se ausentar. No mínimo de R$ 600, houve quatro defecções no DEM: Lael Varella (MG), Marcos Montes (MG), Paulo Cesar Quartiero (RR) e Paulo Magalhães (BA). No PSDB, foram duas defecções na votação dos R$ 560: Manoel Salviano (CE) e Carlos Alberto Lereia (GO).

Na avaliação dos oposicionistas, o Planalto teve uma vitória folgada por ser começo de governo. "Possivelmente descontentamentos da base serão manifestados em votações posteriores", observou Duarte Nogueira. "Se vivêssemos em num período de bonança da economia essa maioria seria inexpugnável", argumentou Freire.

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