Oposição convoca encontro para lançar tucano

Oposição convoca encontro para lançar tucano

PSDB começou ontem a distribuir convite para evento com participação de DEM e PPS, seus principais aliados

Christiane Samarco, Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

O PSDB começou a distribuir ontem o convite formal para o lançamento da candidatura presidencial do governador de São Paulo, José Serra. Assim como o PT, que montou um Congresso Nacional do partido para formalizar a candidatura da ministra Dilma Rousseff, os tucanos decidiram "inventar" um Encontro Nacional no dia 10 de abril, em Brasília, com a participação dos principais aliados: DEM e PPS.

O formato de encontro é a versão tucana do congresso petista, que estes e outros partidos adotam para driblar a Lei Eleitoral. As regras atuais proíbem lançamentos de presidenciáveis antes de as candidaturas serem oficialmente registradas em convenção dos partidos. Para não dar conotação de comício à festa de Serra, o PSDB teve o cuidado de escolher um local fechado para o anúncio. A reunião será realizada no salão do Centro de Eventos Brasil XXI, no centro de Brasília, alugado por R$ 18 mil.

Não por acaso, os presidentes dos três partidos assinam o convite. Para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, o PSDB fez questão de dar conotação "partidária" ao evento. Decididos a livrar o candidato de questionamentos jurídicos futuros, os tucanos também seguiram a orientação de advogados, que sugeriram a elaboração de um documento conjunto, do PSDB, DEM e PPS, ao final do encontro.

Até ontem, no entanto, nem os tucanos sabiam dizer do que vai tratar o texto. Uma das alternativas cogitadas é de reunir no documento os discursos dos presidentes dos partidos aliados.

O PSDB ainda está à caça do mote que poderá se converter em eixo da campanha, a exemplo do que foi o Real e a derrota do "dragão da inflação" para o então candidato Fernando Henrique Cardoso em 1994. Em conversas de bastidor, o tucanato bate na tecla do "candidato experimentado" que dá segurança para manter as conquistas e avançar. Dizem que só "um líder testado" tem capacidade de liderar o País para vencer os desafios políticos e administrativos do futuro.

Para garantir o sucesso da festa, o PSDB quer reunir duas mil pessoas, entre políticos, intelectuais, empresários e personalidades do mundo das artes. "Não haverá militância paga no nosso encontro", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). O objetivo é "facilitar a ida a Brasília" da militância engajada, que desembarque no encontro com entusiasmo o suficiente para passar a ideia de candidatura vitoriosa.

Ao mesmo tempo em que os funcionários do PSDB distribuíam os convites, Guerra reunia-se com os principais líderes dos três partidos na Câmara e no Senado, para pedir empenho na festa. "O sentimento é de olhar para frente, superar os problemas e fazer campanha", disse.

Os organizadores do evento contam com a presença de pelo menos 500 prefeitos do PSDB, DEM e PPS, além de governadores, deputados e líderes aliados como o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e o senador Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB que vai garantir palanque para Serra em Pernambuco, onde disputará o governo.

O encontro está previsto para durar apenas quatro horas ? de 9h às 13h ? e Serra só deve participar da metade final da festa. Por isso, os organizadores preveem apenas quatro oradores: os três presidentes de partido ? Guerra, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Roberto Freire (PPS) ? e Serra, é claro.

Mas alguns tucanos defendem que o governador mineiro, Aécio Neves, também seja chamado a discursar, num gesto que mostraria a força política da candidatura que nasce no maior colégio eleitoral ? São Paulo, e tem respaldo de Minas, o segundo.

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