Oposição critica ato contra a mídia apoiado pelo PT

Partido convoca militantes pelo site para protestar contra 'golpe midiático' na sede do Sindicato dos Jornalistas

Lucas de Abreu Maia e Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Líderes da oposição criticaram a iniciativa, convocada por uma ONG, com o apoio do PT e de centrais sindicais, de se organizar um ato de protesto contra a imprensa, sob o pretexto de que estaria em curso no País um chamado processo de "golpismo midiático". O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, classificou a iniciativa como um atentado contra a liberdade de pensamento.

"Eu vejo uma coisa fascista", disse Serra. "Esse pessoal quer a liberdade de palavra para a turma deles. Como todo pessoal autoritário, tem toda a liberdade pra dizer o que pensa quem é cupincha. Quem for independente tem que ser perseguido."

Ontem, por meio de seu site na internet, o PT convocou militantes e simpatizantes a participarem do ato, que deve ser realizado amanhã, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. "Centrais sindicais e movimentos sociais preparam a realização de um manifesto público contra a baixaria nas eleições e contra o golpismo midiático", diz o texto do site.

Para o presidente do PPS, Roberto Freire, o "objetivo do PT, ao usar movimentos sociais como correia de transmissão de seus interesses, não é outro senão transformar aquele que sofreu agressão em agressor, a vítima, em algoz". "A inversão de papéis e de valores é uma marca registrada no governo Lula e de dona Dilma."

Em nota, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, repudiou a iniciativa. "A convocação de um ato destinado a esse fim explicita a vocação autoritária desses apoiadores. Querem uma imprensa e uma opinião pública subordinadas." O texto também diz que, ao falar em golpismo midiático, os organizadores do encontro se preparam para "tentar tirar a legitimidade de uma vitória de José Serra". "Ao convocar um ato para intimidar a imprensa, têm a cara de pau de evocar a democracia, quando o que querem é abalar um de seus pilares: a liberdade de expressão e de informação."

Oficialmente o encontro foi organizado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, organização criada em maio e que teria como principal objetivo lutar pela "democratização dos meios de comunicação". Seu principal dirigente é o jornalista Altamiro Borges, do PC do B, um dos partidos da base de apoio do governo Lula e integrante da coligação de Dilma Rousseff (PT).

"Não vamos fazer um ato contra a liberdade de imprensa. Nós vamos fazer um ato em defesa da liberdade de expressão, em defesa da legitimidade do voto popular e em defesa da democracia", disse ele ao Estado.

De acordo com a organização do encontro, deverão participar representantes de quatro centrais sindicais, da UNE e de partidos que apoiam Dilma. O presidente do Sindicato dos Jornalistas, José Camargo, disse que não tem responsabilidade em relação ao evento e que apenas cedeu o lugar. "O espaço foi solicitado para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos."

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