Oposição dá apoio a Maia, mas base aliada racha

PC do B, PSB e PDT anunciam consulta por nome alternativo após DEM e PSDB declararem adesão a candidato do PT

Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

A presidente eleita, Dilma Rousseff, nem tomou posse e a divisão de sua base na Câmara ficou exposta, ontem, na disputa pelo comando da Casa. Menos de cinco horas depois de o candidato oficial do PT, Marco Maia (RS), divulgar o apoio de líderes do DEM e do PSDB a sua candidatura, o grupo formado por deputados de partidos aliados - PC do B, PSB e PDT - informou a abertura do processo de consulta em todas as bancadas por um nome alternativo para presidir a Casa nos próximos dois anos.

O bloquinho - formado pelos três partidos - vem canalizando as insatisfações dos deputados de diversas bancadas com a partilha do comando da Casa pelo PT e pelo PMDB nos quatro anos de mandato. Pelo acordo entre os dois partidos, Maia será o candidato para o biênio 2011-2012 e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), assumiria o cargo em 2013 e 2014.

"O processo de escolha do presidente da Câmara, da forma como vem sendo conduzido, gera desconforto e insatisfação em muitos deputados", afirmou Aldo Rebelo (PC do B-SP), ex-presidente da Câmara e um dos cotados pelo grupo para disputar o cargo contra Maia.

"O processo de consulta vai examinar a possibilidade de uma candidatura alternativa", disse o deputado do PC do B. Esse nome, necessariamente, sairá de um dos partidos da base do governo. Com isso, o grupo espera evitar a pressão do Palácio do Planalto a favor de um dos candidatos. "Não é um nome que desencadeia o processo, é o processo que desencadeia o nome. Se viabilizarmos um nome, é para ganhar a eleição", disse Aldo.

Ceticismo. O apoio dos líderes do DEM, Paulo Bornhausen (SC), e do PSDB, João Almeida (BA), a Maia foi vista com reservas pela base aliada. Os dois não consultaram suas bancadas formalmente antes de declarar a adesão - Almeida não voltará à Câmara no próximo mandato. Por esses motivos, nem mesmo petistas acreditam que eles entregarão os votos que prometem.

Além dos líderes do bloquinho, deputados do próprio DEM e também do PPS vêm discutindo a sucessão na Casa e uma forma de garantir os espaços ameaçados pelo que chamam de "condomínio" do PT e PMDB na Casa.

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