Oposição dá prazo para ministro explicar atuação em consultoria

Líderes querem apuração na Comissão de Ética e ameaçam acionar Procuradoria-Geral, mas evitam ''prejulgamento''

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

A oposição resolveu esperar até amanhã as explicações do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre o faturamento obtido pela empresa de consultoria aberta pelo petista em 2006. Dois imóveis de alto padrão em São Paulo foram comprados em nome da Projeto. "Vamos aguardar as explicações. Se ele não detalhar, na terça-feira vou apresentar uma representação na Procuradoria-Geral da República", disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO).

Para justificar a cobrança, o senador citou o histórico do ministro. Palocci deixou o governo Lula em 2006, no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa, que havia declarado ao Estado ter visto o ministro frequentando uma casa usada por lobistas - Palocci negava ter ido ao local. "Ele é um sujeito enrolado, a vida toda dele é enrolada. Vai ter essa denúncia e outras mais", afirmou Demóstenes.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), cogita levar o caso também à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Para ele, a denúncia sobre o patrimônio de Palocci aponta para "enriquecimento ilícito". O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), defendeu que a Receita Federal analise a evolução patrimonial do ministro.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), afirma que Palocci precisa abrir seu sigilo fiscal. "Não vamos fazer prejulgamento, mas ele tem que esclarecer cabalmente, mostrar a declaração de renda."

Duarte Nogueira (SP), líder tucano na Câmara, prevê desdobramentos para o caso dada a relevância da função de Palocci no governo Dilma Rousseff. Para o deputado, o caso pode ser resolvido se o ministro for transparente. Nogueira disse que, como Palocci foi titular da Fazenda, é possível que tenha como justificar rendimentos à frente de uma consultoria econômica.

Para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), não há motivo para o Congresso debater o caso. "Palocci não está sob suspeita. Eu confio 100% nele e as explicações dadas são satisfatórias."

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