Oposição insiste em levar Palocci ao Congresso

Tática dos senadores será tirar e repetir pedidos de convocação de ministro em várias comissões

Eduardo Bresciani e Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

Em minoria e incapaz de atrair o apoio de dissidentes da base governista, a oposição optou ontem por um "recuo estratégico", a fim de manter em evidência as denúncias contra o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

Com apoio de PSDB, DEM e PPS, o PSOL retirou o requerimento que pedia a convocação do petista na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.

A derrota na votação - inevitável, no cálculo dos oposicionistas - levaria ao arquivamento de todos os pedidos de convocação. Pelo regimento, como o requerimento não foi rejeitado, novos pedidos podem ser feitos em outras comissões.

"Retirar não significa desistir de ouvir o ministro", disse a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), autora do pedido de convocação que não chegou a ser votado. Duas horas depois, o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), apresentou requerimento semelhante para ser votado hoje na Comissão de Constituição e Justiça. Na Câmara, a oposição também insistirá na convocação de Palocci em diversas comissões.

CPI. Ao mesmo tempo, a oposição começou a colher assinaturas para uma CPI mista destinada a investigar as atividades de Palocci como consultor. Eles decidiram reforçar o pedido de investigação feito na semana passada ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mostrando a "disparidade" dos ganhos da empresa de Palocci e o faturamento das maiores consultorias econômicas do País.

"O Brasil inteiro quer saber como o ministro ganhou tanto dinheiro em tão curto período", disse o líder do DEM, Demóstenes Torres (GO). Em defesa de Palocci, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), afirmou que a questão está sendo alimentada "obsessivamente, pois não há nada a explicar".

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