Oposição luta contra o fantasma do encolhimento

Nos últimos oito anos, com a popularidade de Lula em alta, evasão de parlamentares rumo aos partidos governistas só fez crescer

Denise Madueño, Brasília, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Enfrentando a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passa dos 70% segundo as pesquisas de opinião, os partidos de oposição desidrataram nos oito últimos anos. Eles nutrem a expectativa de não perder mais deputados e, se possível, melhorar o desempenho.

"Nossa perspectiva mínima é manter o número de eleitos. Depois das eleições (de 2006), houve mudanças e o pessoal foi para partidos do governo. Saíram vários", afirmou o líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC).

O PPS elegeu 22 deputados, em 2006, mas, na posse, em fevereiro de 2007, tinha apenas 17. Agora, são 15. Coruja está entre os 27 deputados, 5,26% da Câmara, que decidiram não disputar a eleição neste ano, para nenhum cargo. "Posso fazer outras coisas. A participação efetiva aqui está pouco produtiva", afirmou.

À espera de Serra. No PSDB, a esperança maior está no eventual crescimento do candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB).

"Se Serra der uma disparada, as candidaturas aos governos disparam e melhora o quadro para os deputados", avalia o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). "Acho que teremos algum crescimento, mas não creio que seja grande."

Com uma bancada de 56 deputados, o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC), espera que a bancada aumente para 60. "Os partidos de oposição crescem em processo eleitoral. Vamos com as nossas bandeiras de diminuição de impostos e volta da ética na política. Derrotamos a CPMF e aprovamos o projeto da Lei da Ficha Limpa."

O PSOL parece mais realista. O partido enfrenta sua segunda eleição nacional e estadual com a expectativa de manter a bancada federal, hoje com os deputados Ivan Valente (SP), Chico Alencar (RJ) e Luciana Genro (RS). "Voltamos nós três, se tudo correr bem", disse Luciana Genro. "A vida é dura para quem não faz alianças espúrias, não tem dinheiro, não tem tempo de TV. Fica muito complicado." O partido deve eleger a ex-senadora Heloísa Helena (AL) para uma cadeira no Senado.

Representatividade

O Estado de São Paulo, com 70 deputados, é o que tem mais vagas na Câmara. Outras 11 unidades da Federação têm 8 deputados cada uma, o número mínimo previsto na Constituição.

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