Oposição pega carona no Bolsa-Família, diz Lula

Em discurso durante a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, no Itamaraty, presidente afirma que os adversários antes criticavam programa

Leonencio Nossa, Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a oposição está tentando tirar dividendos eleitorais dos programas de transferência de renda de seu governo. Em discurso durante solenidade de sanção da Lei do Estatuto da Igualdade Racial, no Itamaraty, ele afirmou que, antes, o Bolsa-Família era alvo de críticas dos adversários.

"Agora, às vésperas das eleições, ninguém mais contesta as prioridades antes criticadas", afirmou. "Nem sempre foi assim, e a sociedade enxerga com distância o que se dizia antes e o que se declara agora."

Há duas semanas, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse numa viagem a Jundiaí (SP) que, se eleito, ampliaria o programa Bolsa-Família com a inclusão de mais 3 milhões de famílias. Atualmente, o programa atende 12,6 milhões de famílias. Serra também prometeu aumentar o valor dos benefícios.

Sem fazer citações diretas, Lula disse ontem que os críticos "de sempre" tentaram, durante os últimos anos, levantar "falsos problemas". Ele afirmou que o governo recebeu críticas por priorizar uma agenda voltada para os mais pobres. "O que se manifestava era o germe do preconceito e da intolerância em nosso querido país", disse. "Não apenas resistimos às críticas infundadas como ampliamos as fronteiras da igualdade."

O presidente ressaltou que, em quase oito anos de governo, 20 milhões de pessoas deixaram a classe baixa para entrar na classe média. "O que construímos neste país nos últimos sete anos e seis meses foi uma sólida ponte entre a democracia política e a democracia social", disse.

Cotas. Na plateia estavam lideranças do movimento negro, em parte insatisfeitas com o texto final do estatuto. Lula tentou contornar o mal-estar e pediu aos presentes que conversassem com os que avaliam que o estatuto "não vale nada". O texto não contempla propostas polêmicas defendidas por parte das lideranças, como o estabelecimento de cotas nas universidades, no serviço público e até nas listas de candidatos dos partidos políticos.

O presidente avaliou que os "companheiros" não perderam. "Vocês ganharam. E ganharam muito. Nós agora precisamos ir consolidando, colocando o cimento que falta. Eu que deveria estar chateado e não estou", disse. Pouco antes, o ministro Eloi Ferreira, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, avaliou também em discurso que o projeto final pode servir de base para processos a favor de cotas.

Lula disse que mudanças sociais levam pelo menos 10 anos para acontecer. Ele aproveitou o discurso para defender sua política social. O presidente disse que programas como o ProUni, Pró-Jovem, Pronasci e Fundef promovem igualdade social no País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.