Oposição quer nova CPI e vai publicar dados na internet

Parlamentares da oposição iniciaram ontem a coleta de assinaturas para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, no Senado e na Câmara, encarregada de investigar denúncias de irregularidades em órgãos da administração federal, sobretudo nos Ministérios dos Transportes, das Cidades, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, do Trabalho e do Turismo.

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2011 | 00h00

Se instalada, a mesma CPI deverá investigar também suspeitas de outros atos de corrupção na Agência Nacional de Petróleo (ANP), no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), na Valec, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ou seja, em todos os órgãos envolvidos em denúncias de fraudes nos últimos meses.

A nova tentativa de investigar desvios de recursos públicos propõe-se a substituir a frustrada CPI dos Transportes, do Senado, que chegou a ser protocolada com as 27 assinaturas de apoio exigidas pelo regimento da Casa. Mas o governo conseguiu convencer os senadores João Durval (PDT-BA) e o suplente Reditario Cassol (PP-RO), pai do senador Ivo Cassol (PP-RO), a retirarem as assinaturas, inviabilizado a CPI.

Nesta nova tentativa, a oposição vai exibir na internet material mostrando "quem é que quer a faxina e quem é que quer apenas da boca para fora", informou o presidente do DEM, senador José Agripino (RN).

"Os que assinaram querem investigação. Os que não assinaram estão posando para a plateia", acrescentou. Para o senador, isso não é mecanismo de pressão, mas "um mecanismo de clareza de procedimento".

São necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores para viabilizar uma CPI mista, que tem representantes das duas Casas. O requerimento da CPI da Corrupção foi fechado em reunião de deputados e senadores do PSDB, DEM, PPS e PSOL.

Oposição. O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse que o governo federal, do jeito que foi montado, "vai produzir crise o tempo todo" e sugeriu que a presidente Dilma Rousseff mude sua equipe. "Ou ela enfrenta isso ou não vai fazer mais nada", afirmou ele ontem, em Porto Alegre.

"Essa forma de governo que está aí não vai se sustentar, nem as personalidades que foram indicadas sem critério nenhum, muitas vezes com passado não tão limpo para governar áreas importantes do País", avaliou. / COLABOROU ELDER OGLIARI

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