'Oposição tem de cobrar desde já'

Para Maia, PSDB, DEM e PPS precisam entender que 2011 não será o 1º ano do governo Dilma, mas sim o '9º ano de Lula'

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

ENTREVISTA

Rodrigo Maia, presidente do DEM

Presidente nacional do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ) defende que a oposição se una desde o primeiro dia do governo de Dilma Rousseff para cobrar promessas de campanha e questionar sua eficiência. Para Maia, PSDB, DEM e PPS precisam ver 2011 não como primeiro ano da gestão Dilma, mas sim o "nono ano do governo Lula". "Ela foi gestora no atual governo dos programas que prometeu realizar como presidente", diz. Maia exime o mineiro Aécio Neves (PSDB) pela vantagem obtida por Dilma em Minas. Para ele, o problema foi o partido não ser atrativo às classes D e E.

A oposição perdeu pela terceira vez seguida a eleição. Dessa vez, não foi para Lula, mas para uma candidata praticamente inventada por ele. Qual é sua avaliação sobre esse processo?

Serra fez o que estava ao seu alcance. Na reta final, o eleitor decidiu pela continuidade do governo Lula e Dilma recebeu a migração de indecisos e de eleitores das classes D e E que havia perdido no primeiro turno por conta da questão religiosa.

Por que não foi possível conter essa migração?

Governos têm ciclos de 8, 12 anos. Esse ciclo ainda é o mesmo, até porque ela foi gestora no atual governo dos programas que prometeu realizar como presidente. Dilma se propôs a continuar o governo Lula e as pessoas concordaram.

Como impedir que isso se repita na próxima eleição?

A oposição precisa compreender que a mensagem dos eleitores é que esse não será o primeiro ano do governo Dilma, mas sim o nono ano do governo Lula. Devemos cobrar desde já as promessas como a construção de 2 milhões de casas no Minha Casa, Minha Vida. É isso que devemos falar e cobrar desde já.

O senhor fala em nono ano de governo, mas Lula e Dilma são muito diferentes um do outro...

Mas ela centrou toda a campanha na continuidade. A oposição aposta que vai haver um choque entre os dois modelos. Lula era palanqueiro. Rodava o Brasil transformando compromissos de presidente em palanque. A outra é gestora. Vai passar muito tempo no gabinete.

A oposição é criticada por ter sido dócil no governo Lula. Isso pesou no resultado de agora?

Não acho que a oposição foi macia demais. Foi um erro recuar no pedido do processo de impedimento do presidente Lula durante o mensalão. Não significa que o presidente fosse cair, porque ele usaria a popularidade e influência política para se segurar. Mas teria sofrido um desgaste maior. Mas tivemos grandes acertos também. Nossa reação impediu que prosperasse a tese de se aprovar a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente. Conseguimos derrubar a cobrança da CPMF. No saldo, a oposição teve papel positivo. Mesmo com Lula tendo mais de 80% de aprovação, tivemos nosso melhor resultado nas três últimas eleições e vamos governar dez Estados.

Serra foi derrotado por Dilma em Minas no segundo turno. O ex-governador Aécio Neves poderia ter ajudado mais?

Nenhum dos Estados, nem Minas, nem São Paulo, individualmente, resolveriam a nosso favor. Aécio se empenhou como podia, comandou nosso melhor evento no segundo turno, em Copacabana. Geraldo Alckmin e Alberto Goldman fizeram o que podiam em São Paulo. O eleitor entendeu que o governo deveria continuar. Especialmente os mais pobres.

Regionalmente, Dilma venceu com facilidade no Nordeste e no Norte. A vantagem de 500 mil votos obtida em Manaus foi maior, por exemplo, que a conseguida por Serra na capital paulista. Não é preciso haver um trabalho específico nessas regiões?

Nenhum de nossos candidatos vai ganhar a eleição com o desequilíbrio que está havendo não apenas por serem regiões específicas como Norte e Nordeste. Existe uma concentração de eleitores mais pobres nessas áreas e esses, sim, votaram de novo no PT. Se pegarmos cidades do Sudeste que concentram eleitores de menor renda, sempre perdemos por mais de 30 pontos. Isso anula qualquer vantagem em outros lugares. Precisamos de uma mensagem eficiente para esses eleitores.

A oposição é vista como elitista por esses eleitores?

Não se trata disso. É uma questão de acertar a comunicação que Lula faz muito bem. Demonstramos nossa preocupação com os eleitores mais pobres no governo Fernando Henrique, lançando programas que foram base para a maioria das iniciativas do atual governo. Foi um erro nosso? Não. Lula é que foi competente ao passar sua mensagem.

O DEM lançará candidato próprio em 2014?

A princípio, digo que sim. Talvez seja importante para a oposição ter mais de uma candidatura para garantir segundo turno. Depois da eleição municipal, a proposta é que PSDB, DEM e PPS apresentem nomes para correr o Brasil e debater ideias. Talvez façamos prévias entre esses nomes para escolher o candidato.

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