Oposição tenta corrigir erros para voltar ao poder

Após derrotas de 2002 e 2006, líderes do PSDB e do DEM querem evitar agora brigas internas e a dispersão das forças eleitorais

Marcelo de Moraes de Brasília, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

Nas campanhas anteriores, disputas e desentendimentos entre alguns dos principais representantes do PSDB e DEM minaram as chances de sucesso eleitoral nas corridas presidenciais. Foi o caso, por exemplo, do processo de disputa interna do PSDB que acabou definindo o então governador Geraldo Alckmin como candidato à Presidência em 2006.

Naquela disputa o então prefeito da capital José Serra era a opção considerada mais lógica até por adversários. Apontado como tendo maior potencial eleitoral para barrar a reeleição de Lula, Serra demorou a definir sua candidatura e acabou sendo surpreendido pela movimentação de bastidores de Alckmin. Escolhido candidato de uma oposição dividida e desinteressada, o tucano não teve fôlego para impedir a vitória do PT.

Divisão semelhante já havia ocorrido em 2002, quando Serra foi apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para sucedê-lo, mas perdeu o apoio formal do tradicional parceiro PFL, que tinha cedido o candidato a vice nas duas campanhas anteriores. Os pefelistas enxergaram a mão do PSDB paulista na implosão da pré-candidatura presidencial de Roseana Sarney e não se empenharam por Serra.

De quebra, Serra enfrentou o descontentamento do cearense Tasso Jereissati, também interessado em concorrer, e que reclamava da falta de discussão interna para a definição do candidato. Com pouco jogo de cintura dos dois lados, os tucanos de São Paulo e do Ceará ficaram distantes durante toda a campanha e a derrota foi questão de tempo.

Agora, líderes da oposição como os próprios José Serra, Tasso, Alckmin, Cesar Maia e o mineiro Aécio Neves adotam linha mais conciliatória nas relações e na formação de alianças justamente para evitar estragos políticos ocorridos anteriormente.

Mandato. Foi o que aconteceu n o processo de costura da aliança entre Serra e Aécio, por exemplo, mesmo depois que o ex-governador mineiro perdeu a corrida para se tornar candidato à sucessão de Lula. Serra acenou com o apoio ao fim da reeleição presidencial e de um mandato único de cinco anos, o que, em tese, reduziria o tempo de espera de Aécio para concorrer à Presidência. Além disso, ofereceu ao mineiro a vaga de vice-presidente e a ocupação de espaços estratégicos dentro de seu governo, caso seja eleito.

Serra tem procurado também atrair para seu lado antigos parceiros políticos do PSDB. O ex-presidente Itamar Franco (PPS) tem sido afagado pelo tucano, de quem nunca foi próximo, em busca de uma aliança que reforce sua presença em Minas.

A razão para essa mudança de comportamento é uma só: o instinto de sobrevivência. A oposição recebeu análises feitas por especialistas dando conta de que a eleição deste ano poderá ser a mais estratégica para seu futuro.

Se Dilma Rousseff vencer, garantirá ao PT seu terceiro mandato presidencial consecutivo e a perspectiva de poder eleger Lula para mais dois mandatos seguidos, a partir de 2014. Caminharia, assim, para concretizar um projeto de poder de vinte anos.

Natural. Para Cesar Maia (DEM), ex-prefeito do Rio e que também adota tom conciliatório para garantir no Estado a aliança em torno de Serra, o processo de boa vontade a oposição foi natural.

"É sempre assim. Na oposição, as diversas forças se juntam mais. Lembre-se da máxima: a esquerda só tem unidade na prisão. Mas o processo na oposição foi mais lógico. Alguma espuma pelo Serra manter-se calado em 2009 sobre candidatura. Mas nunca foi questionada sua capacidade e liderança no processo, mesmo quando se discutia a eleitorabilidade de Aécio", avalia.

A tarefa da oposição tem sido facilitada também pelo fato de se reunir em torno de apenas três partidos (PSDB, DEM e PPS), formando alianças regionais pontuais com outras legendas. Para o governo, apoiado por mais de dez partidos, se tornou impossível conciliar todos os interesses regionais.

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