Oposição tucana teve dedo de Serra

Segundo vereadores, governador orientou bancada do PSDB a votar contra projeto que esvazia Conpresp

Érgio Duran e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2026 | 00h00

O projeto que obriga o Conpresp a submeter suas decisões à aprovação dos vereadores rachou a base de sustentação do governo Gilberto Kassab (DEM). Segundo vereadores que não quiserem se identificar, por trás da oposição maciça da bancada do PSDB estava o próprio governador José Serra.Criado na Mooca e afeito às tradições do bairro da zona leste de São Paulo, Serra pediu a parlamentares que votassem contra o projeto. Além dos 12 tucanos, outros três petistas também reprovaram a proposta, de autoria das lideranças da Câmara.A interlocutores, Kassab disse que preferia ''''lavar as mãos''''. Sem saber, o presidente da Câmara Municipal, Antônio Carlos Rodrigues (PL), articulador dos 39 votos favoráveis, lutava contra Serra.Há dois meses, Rodrigues se posicionou contra as decisões do Conpresp. O vereador Juscelino Gadelha (PSDB) era o representante da Câmara no conselho quando foi decidido o veto à construção de prédios no entorno do Museu do Ipiranga e do Parque da Aclimação, na zona sul. Quando a Mooca entrou na pauta, o presidente da Câmara se mobilizou.Rodrigues chegou a pedir o processo de tombamento para analisar e não devolveu os originais. No dia da sessão, ele telefonou para o local onde o conselho se reunia para tentar impedir a votação e discutiu com o então presidente, o arquiteto José de Assis Lefèvre. Na plenária de quinta-feira, quando aprovou o projeto que esvaziava o Conpresp, Rodrigues discursou contra Lefèvre.REPERCUSSÃOEspecialistas protestaram contra o projeto da Câmara e elogiaram a decisão do governo Serra de entrar na briga. ''''O Condephaat decidir tombar é correto. Ele tem mais poder e pode perfeitamente fazer isso'''', afirmou Nestor Goulart dos Reis, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP). ''''O governo dá força à decisão do conselho (municipal), o que é muito importante'''', disse Reis sobre a desapropriação da área do Moinho Santo Antônio.Para o professor da FAU, ''''as medidas que a Câmara tomou contrariam tudo o que foi feito em termos de patrimônio no Brasil desde 1937 e também toda a experiência internacional nessa área, em que as decisões são técnicas''''. ''''A decisão dos vereadores acaba sendo uma posição política, e não em interesse da coisa pública'''', afirmou.O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Gilberto Belleza, disse que a decisão do governador de desapropriar a área é louvável - ''''uma crítica à posição da Câmara''''. ''''Haverá desvalorização imobiliária, mas uma valorização do ponto de vista da cidade. Quando o governador intervém, ele reconhece a importância dessas construções para o Estado'''', afirmou Belleza.Segundo uma das maiores especialistas em arquitetura industrial da cidade, que preferiu não se identificar, a decisão de Serra demandará um enorme uso de recursos públicos. ''''Sou contra. Esses recursos deveriam ser aplicados é na educação, e não em uma desapropriação por causa de uma briga política.''''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.