Oposição vê 'nervosismo' e frases evasivas

Parlamentares avaliam que respostas de Palocci não convenceram e complicaram sua situação

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2011 | 00h00

A oposição avalia que a entrevista do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, complicou sua situação. Parlamentares oposicionistas classificaram as respostas do ministro como evasivas e não viram qualquer avanço nas justificativas dadas até o momento para explicar o crescimento exponencial de seu patrimônio entre 2006 e 2010.

Na avaliação do líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), Palocci "se afundou de vez". O líder comparou a negativa em revelar o nome de seus clientes a uma "cláusula de casamento". Para Demóstenes, Palocci pode estar impedido de contar "o que acontece no quarto", mas não tem motivos para esconder o nome do parceiro.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), afirma que o ministro precisa colocar o interesse público a frente do de seus clientes. "Ele está colocando em risco o interesse público ao continuar agindo sem transparência e responsabilidade."

Para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o ministro apenas "enrolou". "Ele teve 15 minutos do Jornal Nacional e nada disse sobre seu trabalho de consultor, quem são seus clientes, quanto ele ganhou", criticou.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), destacou o comportamento de Palocci. "Ele já passou por muitas situações de pressão, mas deu sinais de profundo nervosismo, mãos entrelaçadas, boca seca."

Integrante do PP, aliado do governo, a senadora Ana Amélia (RS) disse que Palocci não conseguiu alterar sua disposição de assinar a proposta de uma CPI para investigar as atividades do ministro. A senadora afirmou ter ficado particularmente surpreendida pela declaração de Palocci de que não tratou do assunto com a presidente Dilma Rousseff. "O ministro tentou aparentar tranquilidade, mas não convenceu", avaliou.

Para o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), Palocci deu um "tiro no pé". "A entrevista é evasiva, genérica e escapista", disse. "Ele deu um tiro no pé e piorou sua situação. Se não deu esclarecimentos hoje (ontem), não dará jamais. Não tem condições de continuar no governo."

Respostas. Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), Palocci deixou em aberto questões fundamentais sobre as atividades da Projeto. "O ministro Palocci continua sem explicar para quem trabalhou, que trabalho fez e o quanto ganhou por isso", disse Guerra. "Faz sentido ele dizer que é um cidadão que está de acordo com a lei. Mas não faz sentido deixar todo mundo sem resposta."

De acordo com Guerra, também faltou explicar por que a empresa de Palocci faturou mais no fim de 2010. "E não falou qual o faturamento da empresa. Por que não fala?" Guerra afirmou que a oposição "continuará procurando pelas respostas". "Elas vão surgir, mais cedo ou mais tarde." / COLABOROU JULIA DUAILIBI

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