Orçamento pode impedir mais tropas no Haiti, diz Jobim

Para ele, reduzir o efetivo envolvido em operações de segurança poderia colocar em risco a estabilização

Bruno Garcez, BBC

05 Setembro 2007 | 07h47

Os problemas de orçamento da Organização das Nações Unidas podem colocar em risco a intenção do Exército brasileiro de aumentar seu envolvimento em obras de reconstrução no Haiti. É essa a opinião do ministro da Defesa, Nelson Jobim. "É uma decisão que a ONU tem que tomar, e a ONU tem problemas orçamentários. Para aumentar o contingente, seria preciso resolver problemas internos da ONU", disse o ministro da Defesa, em Porto Príncipe, a capital haitiana, após participar de uma reunião com ministros da Defesa de outras oito nações latino-americanas que têm tropas no país caribenho. O ministro endossa a opinião de militares brasileiros de que reduzir o efetivo envolvido em operações de segurança para ampliar o de engenheiros militares poderia colocar em risco a estabilização do Haiti. "A nós, cabe avaliar as questões internas do país. Nós temos 1,2 mil homens, 150 são de engenharia, 1050 são tropas. E as tropas brasileiras estão nos pontos mais sensíveis, que são os de segurança nos bairros." A divisão de engenharia militar do Exército diz que precisaria de mais cem homens e de cerca de R$ 10 milhões para ampliar a sua atuação em setores como perfuração de poços, pavimentação de ruas e reconstrução de casas, mas ambas as reivindicações dependem da aprovação da ONU. O mandato da missão da Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti, na sigla em francês), que vence em outubro deste ano, deverá ser renovado e as forças de paz no país caribenho, comandadas pelo Brasil, receberão algumas novas atribuições. É o que diz o brasileiro Luis Carlos Costa, representante especial da ONU no Haiti. Costa não adiantou quais seriam essas novas atribuições. Mas as mais prováveis são a de oferecer um treinamento mais intensivo à polícia haitiana e auxiliar no policiamento de fronteiras e da região costeira do Haiti. Apesar de julgar importante a atuação de militares na reconstrução do Haiti, Costa afirmou que "os soldados não são agentes de desenvolvimento". De acordo com o representante da ONU, o desenvolvimento do país depende de contribuições de países ricos, como os Estados Unidos e o Canadá, mas o efeito dessas contribuições só poderá ser medido a longo prazo. Na terça-feira, após a reunião entre titulares da pasta da Defesa, o presidente haitiano, René Preval, endossou a declaração conjunta dos ministros latino-americanos e afirmou que gostaria de ver renovado por mais um ano o mandato da Minustah. Ele disse também que gostaria de contar com a ajuda da Minustah para auxiliar no treinamento da polícia e para patrulhar as fronteiras e a região costeira do país. O atual mandato não permite a atuação das tropas em operações de fiscalização nas fronteiras do Haiti. Segundo o presidente, essas atribuições passariam a ser necessárias para que o Haiti possa colocar em prática o que chamou de novas prioridades. "Agora que a situação de segurança no Haiti está se estabilizando, a prioridade passa a ser o combate à corrupção, ao narcotráfico e ao contrabando", disse Preval. Com um contingente militar de 6,8 mil homens liderado pelo Brasil, a Minustah chegou ao país em julho de 2004, logo após a revolta popular que levou à queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide. Desde então, o mandato da missão tem sido sucessivamente estendido. Luis Carlos Costa diz que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, defende a prorrogação da presença da Minustah por mais um ano e acrescentou ser provável que a missão no Haiti ainda se estenda por vários anos.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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